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Perda

O "Senhor dos Palcos" Paulo Autran atuou em 90 peças e compôs elenco do filme brasileiro que vai ao Oscar

Sting: sem dom para as rimas | Arquivo Gazeta do Povo
Sting: sem dom para as rimas (Foto: Arquivo Gazeta do Povo)

O ator Paulo Autran, que morreu aos 85 anos nesta sexta-feira, em São Paulo, ficou conhecido como "o Senhor dos Palcos" devido à extensa carreira nos teatros do país. Com 60 anos de carreira, Autran estreou em 2006 sua 90ª peça, "O avarento", de Molière, que ficou em cartaz até meados de 2007. Este ano, ele ainda pôde comemorar a notícia de que o longa-metragem "O ano em que meus pais saíram de férias" (2006), em que atuou, foi escolhido para representar o Brasil no Oscar.

O ator sofria de câncer e enfisema pulmonar, e morreu por volta das 16h, segundo a assessoria do hospital. Fumante inveterado, ele havia passado recentemente por diversas internações, incluindo uma no começo deste mês e outra em abril, o que não o impediu de seguir atuando em "O Avarento" quando recebeu alta. A peça veio na sequência de "Adivinhe quem vem para rezar", do jornalista e autor estreante Dib Carneiro Neto, que provou que o ator tinha folêgo incansável para emendar uma peça na outra, de escritores consagrados ou novatos.

O início de tudo

Paulo Paquet Autran nasceu no Rio de Janeiro em setembro de 1922, mas foi criado em São Paulo, onde se formou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP. Chegou a advogar durante sete anos, enquanto fazia teatro amador.

Ao lado da amiga Tônia Carrero estreou sua primeira peça profissional, "Um Deus dormiu lá em casa", em 1949, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Ganhou notoriedade com a montagem do musical "My fair lady" em 1962, que ficou dois anos em cartaz, uma raridade para a época. Outro sucesso do período foi "Liberdade, Liberdade", de Flávio Rangel e Millor Fernandes, em 1965, que rodou cidades por cerca de três anos.

Autran passou por todos os gêneros do teatro, de musicais e comédias a dramas, de autores clássicos a contemporâneos. De Shakespeare, fez "Coriolano", "Rei Lear". De João Cabral de Melo Neto, interpretou "Morte e Vida Severina". No cinema, destacou-se atuando no filme do Cinema Novo "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha, e em "O país dos tenentes" (1987), de João Batista de Andrade. Recentemente, participou dos longas "A máquina" (2005) e "O ano em que meus pais saíram de férias" (2006).

Conhecido por evitar trabalhos na TV, fez novelas como "Pai Herói", de Janete Clair, e "Guerra dos sexos" e "Sassaricando", ambas de Silvio de Abreu. O trabalho mais recente foi a minissérie "Hilda Furacão", de 1998. Costumava dizer em entrevistas que não gostava de televisão e que só lhe ofereciam papéis de "débeis mentais".

Em 1999, casou-se com a atriz Karin Rodrigues, embora morassem em apartamentos diferentes. Karin estava na peça "O avarento".

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