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'Espero que seja um ponto final', disse o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, sobre o documento divulgado neste sábado pela Arquidiocese de São Salvador da Bahia que afasta o padre José de Souza Pinto das atividades religiosas. Finalizada na sexta-feira, a carta, que traz a data deste domingo, ratifica a suspensão do religioso pela Congregação da Sociedade das Divinas Vocações, 'enquanto permanecer transigindo as normas da Igreja, as orientações da sua congregação e da arquidiocese'. A partir de agora, padre Pinto, que foi entrevistado sexta-feira no "Programa do Jô", onde reafirmou sua posição contrária aos dogmas da Santa Sé, não poderá mais celebrar missas, muito menos morar na paróquia da Lapinha.

No comunicado, a arquidiocese deixa claro que a decisão só foi tomada após esgotadas todas as possibilidades de diálogo e que acompanha com tristeza e preocupação as atitudes e aparições do religioso. Dom Geraldo Majella recebeu uma ligação do padre Pinto neste sábado e reafirmou a posição da Igreja.

- Conversei com ele e parecia tudo bem. Não comentei ponto por ponto, mas falei do tema central (do documento). Ele estava falando dos projetos dele, sobretudo os relacionados com arte -afirmou dom Geraldo, em entrevista ao jornal "Correio da Bahia", pontuando que basta que ele cesse todas essas manifestações e atitudes para voltar a uma vida religiosa e sacerdotal normal. O telefonema, segundo o próprio padre Pinto, teria tido o objetivo de 'dizer umas verdades', mas o religioso admitiu que não teve coragem, já que o arcebispo foi cordial.

- Ele (dom Geraldo) foi gentilíssimo. Aconselhou-me a voltar para a Itália - disse.

A mesma declaração divulgada na imprensa foi enviada ao padre, que neste sábado reclamou de dores na coluna e no estômago, mas insistiu no discurso rebelde, aparentando certa indiferença com relação à atitude da arquidiocese.

- Padre Pinto já era. Abracei a carreira artística. Não quero mais não. Vou continuar transgredindo. Vou dizer que tem que usar camisinha e condenar o celibato - afirmou padre Pinto, que ainda não conseguiu vender um quadro, mesmo com toda a publicidade.

Agora, a sua maior aflição é não ter para onde ir. Ele fez um apelo para que empresários lhe emprestassem um apartamento, na Vitória, quatro quartos, já que tem mais de 500 telas.

Monsenhor Gaspar Sadoc voltou a lamentar o posicionamento de padre Pinto. Para ele, foi gerado um problema canônico, daí a importância da declaração da arquidiocese, voltada a prestar um esclarecimento à sociedade e aos católicos em geral.

- A tentativa, a expectativa e o desejo é que ele volte para onde estava. A tranqüilidade da Igreja foi como a de uma mãe que espera o retorno do filho. Tenho muita tristeza pelo acontecido. Não admito que ele seja isso que está sendo. Qual a causa, não sei. Mas esse não é o padre Pinto que conheci e isso me faz sofrer - desabafou mosenhor Sadoc, que iria assistir à entrevista do padre gravada por um sobrinho.

Com a opção pela vida artística, Pinto assume de vez uma posição que vinha desgastando também membros da Igreja Católica. As sucessivas tentativas de diálogo realizadas pela arquidiocese sinalizam que o rumo escolhido pelo padre não condizia, desde o início, com a disciplina sacerdotal. Primeiro dom Geraldo Majella, depois os bispos auxiliares, padres de outras congregações e por fim, o superior geral da Sociedade das Divinas Vocações, Caputo. A Igreja pediu para que ele refletisse sobre seus atos, e que ele fosse padre antes de artista, polemista, agitador cultural e celebridade.

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