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A semana parece não ter sido fácil para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delator da Operação Lava Jato Fernando Baiano levantou nesta semana suspeitas envolvendo dois familiares de Lula, que negam o recebimento de valores. Ainda nesta semana, Lula prestou depoimento no inquérito que o investiga por suspeita de tráfico de influência em favor da Odebrecht. Veja abaixo as vezes em que o nome de Lula foi citado na Lava Jato:

Pagamentos para a nora

O lobista Fernando Soares, delator da Operação Lava Jato, disse ter feito um pagamento de R$ 2 milhões a um amigo de Lula que seriam destinados a uma nora do petista, de acordo com o “Jornal Nacional” em reportagem de quinta-feira (15).

Baiano afirmou que o pagamento que beneficiaria a nora do ex-presidente foi feito a José Carlos Bumlai, amigo do petista, e se referia a uma negociação envolvendo a empresa OSX, do empresário Eike Batista. O delator contou que trabalhava para que a OSX participasse de contratos da Sete Brasil, empresa formada por sócios privados e pela Petrobras e que administra o aluguel de sondas para o pré-sal.

Ainda de acordo com a reportagem, o delator disse que pediu ajuda a Bumlai e que, mais adiante, o próprio Lula “participou de reuniões com o presidente da Sete Brasil para que a OSX fosse chamada para o negócio”. A negociação não avançou, mas mesmo assim Bumlai cobrou uma comissão de R$ 3 milhões, falou Fernando Baiano. O dinheiro seria para uma nora de Lula pagar uma parcela de um imóvel. O nome da nora não foi mencionado.

O Instituto Lula divulgou nota afirmando que o ex-presidente nunca autorizou o amigo a pedir dinheiro em nome dele. Também negou que alguma nora dele tenha recebido, direta ou indiretamente, qualquer pagamento ou favor de Fernando Baiano.

Suspeita de tráfico de influência

Lula prestou depoimento na quinta-feira (15) ao Ministério Público Federal no inquérito que o investiga por suspeita de tráfico de influência em favor da Odebrecht.

Segundo informações do Instituto Lula, o ex-presidente afirmou “jamais ter interferido” em qualquer contrato celebrado entre o BNDES e empresas privadas. Lula teria destacado, de acordo com assessores, “que sempre procurou ampliar as oportunidades de divulgação dessas companhias no exterior, com vistas à geração de empregos e de divisas para o Brasil”.

A suspeita é que Lula tenha exercido influência para que o BNDES financiasse obras de Odebrecht, principalmente em países da África e da América Latina. A empreiteira bancou diversas viagens de Lula ao exterior depois que ele deixou a Presidência.

Filho beneficiado

O operador do PMDB Fernando Baiano disse em seu acordo de delação premiada que um dos filhos de Lula foi beneficiado por pagamentos do esquema de corrupção na Petrobras. Os valores teriam servido para pagar despesas pessoais. No domingo (11), o jornal O Globo publicou a informação de que Baiano contou em sua delação que teria quitado gastos pessoais de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, primogênito de Lula, no valor de cerca de R$ 2 milhões.

O Instituto Lula afirmou na ocasião que não faria comentários sobre a delação envolvendo o ex-presidente e seu filho. A defesa de Lulinha disse que “o sr. Fábio Luis Lula da Silva jamais recebeu qualquer valor do delator mencionado”.

Triplex do Lula

A empreiteira OAS, acusada de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, contratou reformas feitas em apartamento triplex cuja opção de compra pertence à família de Lula, segundo a revista “Veja” na edição do dia 3 de outubro.

A reportagem aponta que documentos sobre as obras feitas no imóvel, situado na cidade do Guarujá, litoral paulista, mostram que a OAS contratou uma empresa de engenharia especializada em reformas de alto padrão para executar benfeitorias no apartamento, como a instalação de um elevador privativo, em 2014.

A assessoria do Instituto Lula afirmou que o ex-presidente não é dono do imóvel citado na reportagem. Segundo o instituto, a mulher de Lula, Marisa Letícia, adquiriu uma cota do apartamento, mas o casal não chegou a concluir o negócio e, portanto, o empreendimento ainda é da OAS.

Grampo

O diretor da Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, teve uma conversa telefônica grampeada quando falava com Lula, no dia 15 de junho de 2015, segundo relatório reservado da Polícia Federal ao juiz Sergio Moro. Na ligação grampeada, Lula e Alexandrino se mostravam preocupados “em relação a assuntos do BNDES”. Quatro dias depois do telefonema, Alexandrino foi preso.

A PF não grampeou o ex-presidente: os investigadores monitoravam os contatos do executivo. O Instituto Lula não comentou o caso na ocasião.

Habeas corpus preventivo

Um pedido de habeas corpus preventivo a favor de Lula foi feito em junho de 2015 sem o conhecimento do petista e negado pela Justiça. O pedido partiu de um morador do interior paulista que se apresenta como consultor.

A defesa de Lula afirmou que ele não autoriza nenhuma representação judicial em nome dele que não seja de advogados formalmente constituídos e que o morador de Sumaré (SP) provavelmente apresentou o pedido de habeas corpus por interesses “políticos” ou para aparecer na mídia.

“Lula sabia”, diz Youssef

No dia 24 de outubro de 2014 a revista Veja publicou que o doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. A reportagem foi divulgada dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial.

A Veja informou que não foram apresentadas provas do que Youssef disse, mas cita que o doleiro só terá direito aos benefícios da delação premiada se não “falsificar os fatos”. Lula e Dilma negaram e rebateram a fala do delator.

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