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Para adversários, gestão Cunha na Câmara é marcada por autoritarismo

Descontentes consideram que a condução dos trabalhos pelo presidente da Câmra é feita de forma autoritária e vertical

Deputado Chico Alencar compõe a bancada contrária a Eduardo Cunha. | Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Deputado Chico Alencar compõe a bancada contrária a Eduardo Cunha. (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

Contrários à gestão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um grupo de 18 deputados lançou um documento nesta quinta-feira (16) em contraponto ao balanço que o peemedebista fará sobre seus primeiros seis meses à frente da Casa, em cadeia nacional de rádio e televisão, nesta sexta-feira (17). Para eles, a condução dos trabalhos por Cunha é feita de forma autoritária e vertical.

“Quando há matéria que pode desagradar ao bloco do presidente, a matéria ou é votada de novo ou não é votada. Há um esmero na interpretação interessada do regimento e da própria pauta da Câmara”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSol-RJ). “Vamos continuar batalhando para democratizar o parlamento, para que ele seja mais aberto à população”, completou.

Em um café da manhã com jornalistas na manhã desta quinta, Cunha afirmou que a manifestação do grupo é “choro de quem perdeu as eleições”, em referência à disputa para a eleição da Presidência da Casa, em que o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi derrotado pelo peemedebista. “Será então que eu sou ditador e todo mundo concorda com a minha ditadura? Isso é choro de perdedor”, disse.

“O presidente tem se comportado para desestabilizar o governo. Cada vez mais gente fica perplexa com as atitudes do presidente, com essa maneira autoritária de conduzir a Casa, que afronta a Constituição e a própria democracia para impor a sua vontade. Isso não é bom para o país e nem para a democracia.”, rebateu o deputado Alessandro Molon (PT-RJ).

Os deputados também reclamaram da declaração de Cunha de que seu principal acerto foi ter resgatado a independência do Legislativo em relação ao Planalto. “O único que se fortalece com essa conduta é ele mesmo. No fundo, usando o poder que o parlamento tem, quem se fortalece, única e exclusivamente, é ele. Uma casa legislativa tem que ter um presidente que esteja a sua altura. E o comportamento do presidente da Câmara mostra que ele não está”, completou Molon.

O documento, intitulado “Um Semestre de Retrocessos”, é assinado pela bancada do PSol e por integrantes de PT, PSB, PDT, Pros, PPS e PCdoB. Dentre outros pontos, os parlamentares reclamam do aumento da restrição de acesso da população à Casa, ao destaque dado a pautas conservadoras e do programa “Câmara Itinerante”, em que Cunha tem viajado a várias capitais do país, visitando as assembleias legislativas locais.

Enquanto os deputados falavam contra o presidente no salão verde da Câmara, Cunha passou pelo grupo, em direção ao seu gabinete, sem se manifestar.

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