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Eleito para liderar o PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP) avalia que o partido deve se fortalecer nas eleições municipais de 2012, mesmo tendo no governo federal uma aliança com 17 legendas, e acredita que uma campanha vitoriosa no ano que vem será vital para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.

Falcão aposta que o PT terá mais candidatos a prefeitos no ano que vem do que em 2008, mesmo diante dessa ampla aliança, com partidos também interessados em crescer no próximo pleito. O deputado, de 67 anos, foi candidato único para suceder José Eduardo Dutra na legenda. Dutra anunciou na sexta-feira que deixava o comando do partido por problemas de saúde.

"Imaginamos que nossas condições eleitorais são amplamente favoráveis, dada a grande popularidade que desfruta o PT, a presidenta Dilma (Rousseff) e o companheiro Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva)", afirmou Falcão em entrevista à Reuters, no sábado (30), logo após o término da reunião do diretório nacional do partido em Brasília.

A ajuda de Lula, aliás, é aguardada com ansiedade pelos petistas, já que o ex-presidente afirmou diversas vezes que ajudará na construção de alianças nas principais disputas municipais.

"Queremos ver também em que condições ele pode nos ajudar e orientar no processo eleitoral do ano que vem. Na própria definição da tática e das informações que ele tem", disse o novo presidente da legenda.

Nos bastidores, comentou-se que o deputado cassado José Dirceu teria trabalhado para colocar Falcão no comando do partido, mas o novo presidente nega que o amigo tenha articulado sua chegada ao cargo.

"Desconheço que ele tenha tido qualquer intervenção nesse processo que foi concluído ontem (sexta-feira)", afirmou, sem esconder os laços de amizade com Dirceu, seu ex-companheiro no movimento estudantil durante a ditadura militar.

"Se eu tivesse solicitado, certamente teria tido (apoio)."

Rui Falcão era vice-presidente do partido e, com a licença, já atuava como presidente em exercício da legenda. Ao contrário de Dutra, que pertence à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária, Falcão atua na Novos Rumos, uma das correntes menores do partido.

PMDB parceiro, oposição fragmentada

Falcão reconhece que não será fácil construir alianças com todos os aliados da base dilmista no Congresso, porque na disputa municipal as realidades regionais pesam mais, mas ele destaca que o PMDB deverá ter papel importante nas parcerias.

"Não estabelecemos nenhuma preferência ainda, mas certamente o PMDB será um grande parceiro por integrar o governo federal, por ter o vice-presidente (Michel Temer) e pela própria capilaridade e influência que o PMDB tem nos milhares dos municípios brasileiros", afirmou.

O PMDB ocupa o maior número de prefeituras no país e certamente tem estratégia semelhante a do PT, por isso as negociações entre os dois maiores partidos de sustenção do governo Dilma serão as mais tensas na base aliada.

As preferências petistas serão definidas após o trabalho de uma comissão eleitoral que foi criada no sábado, durante o encontro do Diretório Nacional do partido. Essa comissão é que vai apontar quais serão as cidades estratégicas para o PT.

Outro fator que pode ajudar o PT a conquistar mais espaço em 2012, segundo Falcão, é mau momento da oposição .

"A fragmentação e o enfraquecimento da oposição e o apoio que a população tem dado ao nosso projeto enseja possibilidades eleitorais bem melhores que no último pleito municipal", disse o presidente petista,que cumpre seu quarto mandato como deputado estadual por São Paulo.

Falcão também participou da coordenação da campanha de Dilma à Presidência no ano passado, mas perdeu espaço após ter seu nome envolvido no episódio sobre um suposto dossiê contra o candidato presidencial do PSDB, José Serra.

Para Falcão, o PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-DEM), pode se alinhar ao PSDB nas futuras disputas eleitorais, mais provavelmente em 2014, devido ao atual quadro de "desidratação" da oposição.

"(O PSD) pode lá na frente ser uma linha auxiliar num movimento não de fusão, mas de um bloco de oposição à nossa companheira (Dilma) em 2014," avaliou Falcão, que já foi presidente do partido em 1994.

O argumento de Falcão é que muitos dos novos integrantes do PSD são historicamente ligados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao ex-governador José Serra e ao senador Aécio Neves, todos tucanos.

Nos próximos dias, o novo comandante petista deve se encontrar com Dilma e com Lula. Com a presidente tratará de questões relacionadas às indicações políticas para o segundo escalão e com Lula tentará montar um calendário para discussão da reforma política.

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