Veja no infográfico a representatividade dos estados no ministério de Dilma| Foto:

Segundo escalão

PDT negocia indicação de Osmar Dias para Itaipu

São Paulo - O presidente da Força Sindical e deputado pelo PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou ontem que apesar da presidente eleita Dilma Rousseff já ter fechado seu ministério, o PDT continua firme nas negociações para o preenchimento der cargos do segundo escalão.

"Nós entendemos que muitas pessoas do nosso partido se envolveram profundamente na campanha da presidente eleita e agora vamos negociar para que ela abra espaço no governo para essas pessoas", disse. De acordo com Paulinho, a ideia é que o PDT seja contemplado na direção de empresas do setor elétrico, como Itaipu e Eletrosul.

Paulinho citou os nomes dos candidatos derrotados nessas eleições, Osmar Dias (para o governo do Paraná) e Dagoberto Nogueira (para o Senado por Mato Grosso do Sul), ambos, de acordo com Paulinho, tinham chances de vitória e, por conta do comprometimento com a campanha de Dilma, foram prejudicados em suas aspirações.

"Para Osmar Dias estamos negociando a presidência da Itaipu e para Dagoberto queremos a presidência da Eletrosul", disse Paulinho, acrescentando que as negociações estão caminhando. As declarações de Paulinho foram dadas antes do início da cerimônia com catadores de papel, em São Paulo, e que contou com as presenças do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Agência Estado

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Denúncias atingem futuros ministros

Folhapress

Brasília - Mal terminou de definir a equipe ministerial, a presidente eleita, Dilma Rousseff, já enfrenta os primeiros escândalos envolvendo futuros ministros. Denúncias recentes atingiram Ideli Salvatti (Pesca), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Pedro Novais (Turismo)

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) gastou cerca de R$ 4 mil em verba indenizatória do Senado com pagamento de diárias de um hotel em Brasília enquanto recebia auxílio-moradia, o que é irregular, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

O Senado informou que o uso da verba indenizatória para essa finalidade não é permitido, uma vez que os senadores já recebem um benefício para custear despesas com moradia em Brasília no valor de R$ 3.800 mensais. Ideli disse ter havido um erro da sua assessoria e mandou devolver o dinheiro aos cofres públicos.

Minas

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais ofereceu denúncia por suposta improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT).

O motivo da ação penal é o convênio que vinha sendo investigado desde 2005 entre a prefeitura de Belo Horizonte, a Câmara de Dirigentes Lojistas e a Polícia Militar para a implantação do projeto "Olho Vivo" – sistema de câmeras de segurança em Belo Horizonte.

O Ministério Público Estadual alegou ausência de licitações, falta de prestação de contas, superfaturamento e ainda suposto uso de nota fiscal falsa de R$ 1,16 milhão.

Motel

O deputado federal Pedro Novais (PMDB-MA) usou R$ 2.156 da cota parlamentar da Câmara para pagar despesas de motel em São Luís, no Maranhão, segundo nota fiscal incluída na prestação de contas de junho deste ano. Novais participou de uma festa com vários casais no motel, afirmou reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Ele disse devolveu o dinheiro à Câmara.

Dono do maior eleitorado do país, São Paulo ficou também com a maior parte dos 37 ministérios do futuro governo Dilma Rousseff. Ao todo, oito ministros da próxima administração são paulistas. Nas mãos deles ficarão algumas das pastas mais importantes do governo, como Saúde, Educação e Fazenda. Minas Gerais, segundo maior eleitorado do país, ficou apenas com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que será ocupado por Fernando Pimentel.

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O cientista político Fabrício Tomio, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), observa que a questão partidária e as influências políticas dentro dos partidos pesam muito mais no momento da distribuição dos ministérios, que a distribuição geográfica. "Seria até mais fácil fazer a simples distribuição dos cargos por estados, mas a questão partidária pesa muito mais", comenta. Isso ajuda a explicar a situação do Maranhão. O futuro governo Dilma terá dois ministros do estado: Pedro Novais (Turismo) e Edison Lobão (Minas e Energia). A nomeação de ambos se deve a indicação do senador José Sarney, um dos caciques do PMDB.

O Paraná, que possui 3,2 milhões de eleitores a mais que o Maranhão, também ficou com dois ministérios. A pasta de Comunicações será ocupada por Paulo Bernardo, que deixará o Ministério do Planejamento, e a Secretaria-Geral da Presidência terá à frente o atual chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho – que embora tenha nascido no Paraná, construiu carreira política em São Paulo, caminho contrário do paulista Paulo Bernardo. Os dois ministros paranaenses são considerados homens de confiança de Lula e a nomeação deles fez parte da cota pessoal de Dilma.

O Ministério da Agricultura, que durante a maior parte do segundo mandato do governo Lula foi ocupado pelo paranaense Reinhold Stephanes, passou para as mãos dos paulistas. Wagner Rossi, que substituiu Stephanes no fim de março depois que o peemedebista deixou o cargo para concorrer à Câmara dos Deputados, foi mantido na pasta. A decisão de Dilma surpreendeu muitos políticos paranaenses. Isso porque havia uma expectativa de que o senador Osmar Dias (PDT) seria convidado para o ministério (leia ao lado).

A indicação de Osmar para a pasta seria uma espécie de compensação ao pedetista, que atendeu às pressões do Planalto e deixou de concorrer a uma reeleição praticamente certa ao Senado para disputar o governo do estado contra o tucano Beto Richa. Outro paranaense que era cotado para compor o ministério de Dilma, mas acabou ficando de fora, é o governador Orlando Pessuti (PMDB).

O peemedebista ocuparia o Ministério da Copa, que nem chegou a ser criado pela presidenciável. A cadeira também faria parte dos acordos para a eleição estadual. A nomeação de Pessuti também seria uma espécie de prêmio de consolação para o governador, que deixou de concorrer à eleição estadual para viabilizar a candidatura de Osmar.

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Caso fossem confirmados os boatos do período eleitoral, o Paraná teria hoje quatro ministérios. No entanto, o estado continua com apenas dois. Um dos motivos para isso seria a baixa influência da bancada paranaense em Brasília. Como observa a socióloga e professora de Ciências Políticas Maria Lúcia Victor Barbosa, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), "as escolhas [para os ministérios] são muito menos técnicas e muito mais políticas". Assim, a pouca representação da bancada paranaense em Brasília ajuda a manter um cenário em que o Paraná não consegue avançar e conquistar mais espaço dentro do primeiro escalão do Palácio do Planalto.

O presidente do Movimento Pró-Paraná, Jonel Chede, lembra que a fraca mobilização dos parlamentares paranaenses nos últimos anos tem dificultado a realização de alguns pleitos paranaenses: como a revisão da distribuição dos royalties de Itaipu e a duplicação de rodovias. "Essas obras são dependentes de decisões que partem de Brasília. E não basta só o empenho dos ministros. É preciso que a representação na Câmara e no Senado seja coesa", diz.

Embora a importância dos políticos de cada estado tenha influência na determinação dos ministros, isso não significa que com mais ministério o estado terá maior ou menor representatividade política dentro do Planalto. De acordo com Tomio, é preciso observar outras questões, como as indicações para estatais, por exemplo. "Fazer uma leitura simples e tão imediata é complicado", afirma.

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Por que a influência política pesa mais do que o peso econômico dos estados na formação ministerial?

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