Ao todo, 13 presos da Lava Jato estão no Complexo Médico-Penal de Pinhais.| Foto: Heuler Andrey/Metro Curitiba

REFEIÇÕES

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária disse que os presos recebem café da manhã, almoço e jantar e que esses alimentos passam por uma comissão interna que recebe as refeições. O alimento é provado pelo diretor ou vice-diretor de cada unidade.

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Os 13 presos da operação Lava Jato que estavam dentro das instalações do Complexo Médico-Penal de Pinhais na tarde desta quinta-feira (23) responderam de modo diferente a uma vistoria da Coordenação Nacional de Acompanhamento do Sistema Carcerário do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da qual a Gazeta do Povo participou.

Enquanto alguns personagens envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, como Renato Duque, ficaram em suas camas deitados ou sentados, envoltos num ar de melancolia e sem relatar como é a vida dentro da prisão, outros foram abertos e contaram sobre a rotina de isolamento.

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Por volta das 16 horas, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, aguardava em sua cela pelo jantar enquanto zapeava por canais de televisão. Seu companheiro atual de acomodação “não era da Lava Jato” e tinha saído para falar com o advogado.

Dia a dia se divide entre leitura de Tolstói e banho de sol

A expectativa de Fernando “Baiano” de ser solto era menos visível em Sérgio Cunha Mendes, executivo da empreiteira Mendes Júnior. Ele levanta-se com a presença do grupo da vistoria e se junta à grade. Fala sobre a comida, que é boa. Do banho de sol diário de uma hora, que está sendo cumprido. Das instalações, adequadas. E do acesso aos advogados, igualmente respeitado. Tal teor é praticamente oposto ao ouvido no mesmo dia de detentos que não eram da Lavo Jato.

A zanga de Mendes é com as decisões judiciais. “Meus pedidos de HB [referência ao instrumento de libertação habeas corpus] estão subindo de instância. Mas até agora foram todos negados”, lamentou.

Seu companheiro de cela, Guilherme Esteves de Jesus (operador do esquema no Estaleiro Jurong), continuou sentado ao lado de um grosso exemplar do clássico romance Anna Karenina, de Liev Tolstói, respondendo de maneira monossilábica às perguntas sobre o acesso aos advogados, à alimentação e ao banho de sol. Para ele, tudo estava bem. O terceiro ocupante da cela, Gerson de Mello Almada, da Engevix, falava muito baixo sentado em sua cama. Mas era possível entender que ele dizia que não havia nada de errado. (FV)

A tevê sintonizava muito mal, com imagens sem nitidez. “Minha antena não está pegando bem. Não passa nada bom aqui”, diz. A seguir, Baiano muda de ideia e deixa o aparelho ligado em um programa policial. Duas horas mais tarde, começaria a ser servida a última das três refeições do dia: um empanado de frango com polenta, arroz, feijão e couve.

Com expressão alegre e um sorriso simpático, Baiano afirma que a alimentação distribuída na carceragem da Polícia Federal (PF) de Curitiba é melhor do que a que a recebida no Complexo Médico-Penal de Pinhais. “Mas este é um presídio mesmo, com muito mais gente”, ponderou.

Inocência

Na contagem de quinta-feira, cerca de 700 presos estavam no complexo − 90 deles na ala destinada a detentos com curso superior, onde foram colocados os envolvidos na Lava Jato. O pavimento fica atrás do setor reservado às mulheres, dividido por um longo corredor em que a luminosidade é baixa.

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Segundo Baiano, a convivência com os companheiros no local é boa. “Desde que cheguei, o maior medo foi um início de rebelião em outra galeria”, disse. O problema que mais ameaça são as duchas frias. “Eu sou novo e consigo aguentar um pouco mais, mas os mais velhos realmente sofrem muito.”

Perguntado sobre o processo que o aponta como operador de propina para o PMDB, Baiano diminui o tom de voz e afirma que faltam provas contra ele. “Dizem que eu mantinha contas no exterior, mas já faz cinco meses que estou preso e até agora não provaram nada. Estou confiante na minha defesa e espero sair logo”, declarou.