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A queda de 0,5 ponto percentual na taxa Selic mostra ao mercado que a tendência é mesmo que redução dos juros para 2006. Essa é a avaliação do economista Ricardo Rocha, professor do Ibmec, em São Paulo.

- Para este ano, essa redução não altera em nada o quadro, mas mostra confiança em um cenário mais positivo para 2006. Meio ponto percentual pode parecer pouco, porém, significa uma queda expressiva e sinaliza que há espaço para novas reduções - afirma Rocha.

Diante deste cenário, as empresas que agora planejam o orçamento para o próximo ano podem se animar em investi, acredita Rocha.

- Essa decisão mostra que o Banco Central está confiante e que deve manter a política monetária adotada, mesmo com o ano eleitoral - diz.

Para o economista Alcides Leite, da Faculdade Trevisan, a taxa Selic ainda está muito alta.

- Se descontarmos a inflação prevista para o ano (em torno de 6%), os juros reais ainda são de 12%, muito maiores do que os registrados em outros países - diz Leite.

Segundo ele, se a inflação anual ficar em no máximo 6% no ano, provará que o Banco Central exagerou na subida dos juros no início de 2005.

- Apesar da meta inicial ser 5,1%, havia uma margem de até 6,5%. Era preferível privilegiar o crescimento econômico 0- explica.

Além da queda da atividade industrial no segundo semestre, Leite ainda ressalta outro efeito negativo da alta da Selic: o aumento expressivo da dívida pública.

- O BC demorou muito para baixar os juros, o que comprometeu o crescimento da economia no ano e endividou muito o governo. As empresas tinham capacidade para aumentar a produção sem haver risco de pressão inflacionária. Então, não precisava elevar tanto a Selic - afirma.

Para o economista Rogério Mori, da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o que ajudou a manter a inflação sob controle no ano foi o câmbio.

- Ele afetou diretamente o preço dos alimentos, o que ajudou a manter a inflação em baixa. Para o próximo ano, se o câmbio ficar no patamar atual, ele deixa de influir e podemos ter novamente risco de inflação - diz.

Mori afirma que a decisão do Comitê de Política Monetária foi coerente.

- Pelo lado da atividade econômica, a redução da taxa Selic poderia ser acelerada. Mas é preciso ter mais convicção de que a inflação ficará sob controle - explica.

Mas ele também acredita que a queda desta quarta-feira sinaliza um cenário mais favorável para o futuro.

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