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diplomacia

“Queremos ser um dos melhores fregueses do pré-sal”

Preocupado com a dependência americana do petróleo do Oriente Médio, Obama acena com parceria para a extração e venda do produto brasileiro

Obama e a esposa, Michelle, assistem à apresentação de capoeira na Cidade de Deus, no Rio: afagos ao Brasil e interesse de ampliar o comércio com o país | João Paulo/AFP
Obama e a esposa, Michelle, assistem à apresentação de capoeira na Cidade de Deus, no Rio: afagos ao Brasil e interesse de ampliar o comércio com o país (Foto: João Paulo/AFP)

Brasília - A exploração de petróleo no pré-sal ainda nem começou, mas o presidente americano Barack Obama deixou claro durante a visita ao Brasil que os Estados Unidos querem ser um dos "melhores fregueses" do óleo brasileiro. O interesse americano não está restrito à compra de petróleo. Segundo Obama, as empresas de seu país podem "ajudar" no desenvolvimento da exploração dos novos campos.

O interesse dos Estados Unidos no pré-sal tem uma razão geopolítica bem clara: os americanos pretendem depender cada vez menos do petróleo dos países do Oriente Médio – região conturbada politicamente e onde o antiamericanismo é uma ameaça permanente. O Brasil, como Obama deixou bem claro ontem, em seu discurso no Rio de Janeiro, é uma democracia estável.

"Queremos trabalhar com vocês, queremos ajudar", disse o presidente durante discurso num fórum de empresários, do qual participou no sábado, em Brasília. "Quando vocês estiverem prontos para vender, queremos ser um de seus melhores fregueses", acrescentou.

Diante dos empresários, Obama avaliou a importância e o tamanho da economia brasileira. Disse que o país tem uma economia globalmente importante e que deve ser tratado como são tratadas a China e a Índia, potências igualmente emergentes. "É hora de tratar o diálogo econômico com o Brasil tão seriamente quanto tratamos com a China e a Índia", afirmou Obama.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, explicou que os Estados Unidos já são hoje, na prática, um dos principais compradores de petróleo brasileiro. "Do ponto de vista comercial não é uma grande novidade. O que pode ser uma novidade é o governo americano começar a considerar o valor estratégico dessa relação."

Obama tentou mostrar aos empresários brasileiros que o fortalecimento das relações entre os dois países será vantajoso para as empresas dos dois lados e defendeu, além do setor de energia, esforços conjuntos nas áreas de comércio, educação e infraestrutura.

Para o presidente da Con­­federação Nacional da In­­­dústria (CNI), Robson Andrade, as palavras de Obama fortalecem a expectativa de um au­­mento no comércio entre os dois países. "A presença do presidente Barack Obama num encontro empresarial dá uma sinalização firme e clara de que os Estados Unidos veem hoje o Brasil como um importante aliado no mundo", disse.

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