Policiais federais de todo o país farão uma greve de 72 horas, com paralisação de suas atividades, entre amanhã e sábado, informa a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) em nota distribuída à imprensa. O movimento será iniciado hoje com atos públicos de protesto em frente às unidades da PF.
Os policiais federais reclamam que o governo federal não cumpriu o acordo assinado no final da greve de 2012, que inclui a modernização da carreira na PF e o reconhecimento das atividades realizadas por todos servidores, ainda regidos por leis da época da ditadura militar.
"O estopim da greve é a recente Medida Provisória 657, que atropelou o longo período de negociações entre a Fenapef e o governo, ignorou as dezenas de propostas de modernização e beneficiou somente o cargo de delegado, criando uma espécie de concurso para chefe no serviço público federal", diz a nota. "Nos corredores da PF, a Medida Provisória é chamada de MP da Chantagem. O motivo é a sua publicação na semana em que ocorreram os vazamentos do escândalo da Petrobras. A MP não reconhece os demais policiais, investigadores ou peritos como autoridades competentes", acrescenta.
Representantes dos delegados da Polícia Federal divulgaram nota ontem reprovando a iniciativa de uma paralisação às vésperas do segundo turno das eleições, no domingo. Para a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) o movimento é "injustificável" "inoportuno com finalidade nitidamente eleitoreira". "Não gostaríamos de fazer essas paralisações na última semana antes da eleição, mas o governo não nos deu outra opção ao editar essa medida", rebate Carlos Antônio, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais.
Editada na semana passada pela presidente Dilma Rousseff, o texto determina três mudanças já em vigor para a carreira de delegados e gerou tensão dentro da PF. Representantes de outras carreiras na polícia dizem que a medida concedeu prerrogativas e vantagens somente aos delegados, em detrimento dos demais policiais.



