
Brasília - Um dia depois do bate-boca com Tasso Jereissati (PSDB-CE) no plenário do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) responsabilizou os tucanos pelo episódio e afirmou que não se arrependeu das palavras proferidas ao colega. "Não me arrependo, não. Como me arrepender se o cara provoca? Fica gritando, querendo botar as pessoas para fora do Senado. Fui provocado, reagi", afirmou Renan. "É importante parar com as provocações. Por mais que você esteja preparado para não responder, na hora é difícil", disse.
Renan evitou comentar a expressão "seu merda" usada por ele em referência a Tasso Jereissati durante a discussão. O tucano acusa o peemedebista de quebra de decoro por ter usado palavra de baixo calão. Esse xingamento, porém, não aparece nas notas taquigráficas porque Renan o fez fora do microfone.
O senador alagoano alegou que o estopim para as agressões verbais trocadas com Tasso foi causado pelo PSDB nos últimos dias, ao pedir a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. "O PSDB aumentou a tensão. Essas pessoas que não têm hábito de conversa têm de aguardar um pouco as conversações. A partidarização não ajuda na solução da crise. O Arthur Virgílio chegou ao cúmulo de dizer que, para fazer uma crítica a ele seria preciso trazer um homem da China. O PMDB ouviu suas bravatas. É preciso parar com as provocações", afirmou.
Preocupado com a repercussão negativa da confusão, o líder do PMDB adotou também um discurso de conciliação. "Sou um conciliador por natureza", disse. "É preciso baixar a temperatura, desaquecer. O estado de espírito do PMDB é colaborar com a crise". Renan voltou a defender José Sarney.
Para ele, o bate-boca com Tasso na quinta-feira não prejudicou a situação política do presidente do Senado. "A mídia estava dizendo que o Sarney iria renunciar, que a família queria que ele renunciasse. Está claro que ele não vai renunciar e vai ser absolvido pelo Conselho de Ética."
A confusão na quinta-feira começou quando Tasso pediu que um visitante fosse retirado da tribuna de honra do plenário por tê-lo provocado. Irritado, Renan repudiou a atitude de Tasso O tucano revidou e pediu para o colega "não apontar esse dedo sujo". O senador alagoano rebateu, lembrando que Tasso usou dinheiro do Senado para abastecer seu jatinho particular. A resposta para Renan foi a de que o peemedebista tinha suas despesas pagas por empreiteiros.
PSDB decide terça se entra com ação contra Calheiros
O PSDB decide na terça-feira se representa no Conselho de Ética contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), por quebra de decoro parlamentar. Para o partido, Renan infringiu as regras de convivência entre os colegas, ao chamar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de "coronel de merda" no bate-boca ocorrido na sessão de quinta-feira. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), informou que a decisão será analisada com os Democratas e com outras legendas que apoiam o pedido para que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixe o cargo, porque não adianta agir sozinho.
O senador Mário Couto (PSDB-PA) requisitou cópia da gravação da TV Senado em que o líder peemedebista aparece insultando Tasso, após ter se afastado do microfone, para que suas palavras não fossem ouvidas pelos demais parlamentares que estavam em plenário. A taquigrafia registrou na íntegra tudo o que Renan disse, mas depois retirou a palavra "merda".
A avaliação da oposição é que o episódio deixou Sarney, Renan e o grupo de seus aliados "mais isolados". "A agressividade contra Virgílio, esse negócio de retaliar, de ameaças todos os que estiveram contra ele, essa truculência, pegou mal", afirmou Sérgio Guerra. "Ultrapassaram os limites da esperada convivência entre parlamentares". De concreto, mesmo, segundo o senador, ficou o recado de que todos serão ameaçados no caso de se indisporem contra eles.
Atitudes como a de Renan, no entender do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), "achincalha a instituição". "Nós precisamos dar um basta nisso", disse. "Devermos ser duros no confronto, estabelecer sempre o contraditório, manter o nível elevado". Mesmo um dos principais seguidores do líder peemedebista, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), afirma que a situação está "muito ruim".








