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Instabilidade política

Rio Branco do Sul, a cidade dos prefeitos que não concluem o mandato

Desde 2000, o município da Grande Curitiba teve oito prefeitos diferentes. Moradores acreditam que problemas municipais seriam menores se houvesse continuidade na administração

  • Karlos Kohlbach
Gibran Jhonson: prefeito deverá julgado pelo TRE nesta semana |
Gibran Jhonson: prefeito deverá julgado pelo TRE nesta semana
 
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Rio Branco do Sul, a cidade dos prefeitos que não concluem o mandato

A vida política de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, é um caso à parte. Lá, desde a eleição de 2000, os prefeitos eleitos não conseguem terminar o mandato. São 13 anos de constante alternância no poder. Nesse período, foram oito as vezes em que o chefe do Poder Executivo local teve de deixar o cargo. Os motivos são os mais diversos. Desde suspeita de corrupção até assassinatos.

O atual prefeito, Cézar Gibran Johnson (PSC), eleito em outubro do ano passado, só governa graças a uma decisão judicial, que pode ser revertida nesta semana. No próximo dia 13, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) vai deliberar sobre a cassação da candidatura de Cezar Gibran e do vice, Joel Faria (PSC). Os dois já foram condenados em primeira instância por não ter feito uma ampla divulgação para anunciar a mudança de última hora na chapa pela qual se elegeu Gibran. Na formação original, o candidato a prefeito era Amauri Johnsson, pai de Gibran. Como teve a candidatura indeferida por ter contas reprovadas pelo Tribunal de Contas, Amauri foi substituído pelo filho.

Se a decisão for mantida pela Justiça, nem mesmo o segundo colocado na eleição, Valdemar José Castro (PSDB), poderá assumir o cargo. Isso porque ele também teve a candidatura cassada. Assim, o município convive hoje com a expectativa de uma nova eleição. Esse é só o mais recente imbróglio jurídico que vem marcando a história política de Rio Branco do Sul.

Os eleitores da cidade acreditam que o progresso no município caminha a passos lentos por não haver uma continuidade de projetos e ideias de poder. Alguns cidadãos atribuem aos gestores a culpa por não conseguirem concluir um mandato. Há quem também culpe o Judiciário, que por algumas vezes foi quem determinou o afastamento do prefeito.

O que todos parecem concordar é que a rotatividade de prefeitos prejudica o município. Os moradores reclamam da falta de infraestrutura, de ruas sem calçamento, vias esburacadas, problemas na área da saúde, segurança e educação. Os moradores da cidade com quem a reportagem conversou são unânimes: se houvesse continuidade dos projetos do Executivo e menos rotatividade na cadeira de prefeito, a lista de reclamações poderia ser menor.

RivaisBriga entre grupos políticos é a causa de instabilidade na cidade

A principal causa da constante alternância de poder na prefeitura de Rio Branco do Sul é a briga política acentuada na última década entre grupos rivais. Essa é a razão apontada por duas das autoridades da cidade – o juiz Marcelo Teixeira Augusto e o atual prefeito Cezar Gibran Johnsson. Ambos concordam que as mudanças no comando da prefeitura prejudicam os cidadãos.

Juiz titular desde 2008, Teixeira foi quem acompanhou o último processo eleitoral e foi dele a decisão que cassou, em primeira instância, o mandato de Cezar Gibran. “Infelizmente, as decisões proferidas acabam realmente levando a uma situação de impasse no meio político, gera uma instabilidade. Isso é muito ruim para a comunidade”, diz o magistrado.

Teixeira também alfineta a classe política, que na opinião dele, sobrepõe os interesses pessoais aos da comunidade. “Quando um determinado governante assume a prefeitura, o adversário não consegue se conformar e tenta de todas as maneiras derrubá-lo”, diz, sem citar nomes.

Governando por força de uma decisão liminar, Cezar Gibran reconhece que a mudança constante na prefeitura retarda o crescimento de Rio Branco do Sul. Mas ele diz acreditar que os tempos de sucessão prematura na prefeitura acabaram. “Estou tendo um bom relacionamento com todas as alas políticas da cidade.”

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