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“Há especulações em torno de envolvimento de doleiros, que desde sempre estão envolvidos em atividades ilegais ”, afirmou Ricardo Ferraço | Waldemir Barreto/Agência Senado
“Há especulações em torno de envolvimento de doleiros, que desde sempre estão envolvidos em atividades ilegais ”, afirmou Ricardo Ferraço| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Em sessão realizada nesta terça-feira, 24, no Senado, foi instalada a CPI do HSBC. A comissão será presidida pelo senador Paulo Rocha (PT-PA) e terá como relator o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). A primeira reunião de trabalho será na próxima quinta-feira.

“O assunto envolve um dos maiores bancos do mundo e também remete a operações suspeitas envolvendo governantes, celebridades, grandes empresários. Há especulações em torno de envolvimento de doleiros, que desde sempre estão envolvidos em atividades ilegais de grande dimensão na República brasileira, que precisarão ser apuradas”, afirmou Ricardo Ferraço.

Investigado no escândalo do mensalão, o senador Paulo Rocha (PT-PA) foi eleito presidente da CPI e disse que vai comandar com “equilíbrio e responsabilidade”. O petista disse que não permitirá ações “espetaculares na comissão” e lembrou que ele mesmo foi alvo de investigação em 2005.

O pedido da instalação da comissão foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e terá, entre outros objetivos, investigar irregularidades praticadas pelo HSBC na abertura de contas irregulares, em que mais de U$ 100 bilhões foram potencialmente ocultados do Fisco de mais de 100 países. Entre os correntistas, há cerca de 8 mil brasileiros que tinham, numa estimativa preliminar, mais de R$ 7 bilhões ocultados da Receita Federal.

Na sessão, Randolfe apresentou uma série de requerimentos com pedidos de diligências e audiências públicas que deverão ser inseridos no plano de trabalho. O anúncio deverá ser feito por Paulo Rocha na próxima reunião do colegiado, prevista para acontecer nesta quinta-feira, 26.

Entre os requerimentos está o que prevê uma visita ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e às autoridades francesas que também investigam os supostos desvios, além de um encontro com Hervé Falciani, o especialista em informática que entregou às autoridades francesas a lista de milhares de pessoas que suspeitas de evadir impostos.

Prazo

A Comissão terá 90 dias de prazo para as investigações. Randolfe disse que não haverá “caça às bruxas”.

Ao falar como relator, Ferraço lembrou que há mais de 8 mil brasileiros na lista e que somariam um montante de US$ 7 bilhões. “Mais do que oportuna a iniciativa do senador Randolfe Rodrigues de investigar o escândalo de grandes proporções, que não apenas abalou o mundo das finanças, com a notícia de que 8.667 brasileiros estão nesta lista. Não sabemos se essa é apenas a ponta do iceberg, ou se é a ponta d´água. É o segundo maior banco do mundo. A lavagem de dinheiro pode estar ligada a à Operação Lava-Jato”, disse Ferraço.

Já o senador Paulo Rocha disse que vai comandar a CPI com “equilíbrio”. O petista foi investigado no caso do mensalão do PT, quando era deputado federal, e foi absolvido por lavagem de dinheiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo placar de 5 a 5 (o empate é pró-réu). Na época, Rocha era líder do PT na Câmara e foi acusado de receber R$ 820 mil. Ele disse que recebeu dinheiro para pagar contas de campanha eleitoral.

Os deputados querem ainda que sejam convidados para uma audiência os jornalistas Fernando Rodrigues e Francisco Otávio, devido ao jornal O Globo ter divulgado em primeira mão nomes da lista. Outro requerimento pede que seja ouvido Everardo Maciel, ex-secretário da Receita.

Há requerimentos ainda de pedidos de audiências com o Ministério Público e entrar em contato com o jornal francês Le Monde, que foi o primeiro a divulgar o esquema.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) disse que é o primeiro passo é ouvir as autoridades brasileiras que já estão envolvidas no caso.

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