Após a publicação da reportagem, protestos ocorreram em 13 cidades do Paraná | Antônio More / Gazeta do Povo
Após a publicação da reportagem, protestos ocorreram em 13 cidades do Paraná| Foto: Antônio More / Gazeta do Povo

A série Diários Secretos foi selecionada pela Rede Mundial de Jornalismo Investigativo como uma das dez mais impactantes do planeta. As reportagens foram divulgadas pela Gazeta do Povo e pela RPC TV em 2010, revelando um esquema milionário de desvio de recursos e contratação de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do Paraná. A seleção dos trabalhos foi apresentada ontem, em Nova York, em um evento do Google Ideas, para demonstrar o quão relevante é investir em reportagens investigativas.

O trabalho foi realizado pelos jornalistas Katia Brembatti, James Alberti, Gabriel Tabatcheik e Karlos Kohlbach, com apoio de mais de 40 profissionais dos dois veículos de comunicação. A série recebeu importantes prêmios, como o Grande Prêmio Esso e o Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, além de ser agraciada como o título de melhor reportagem investigativa da América Latina e com Global Shining Light Award.

O presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), José Roberto de Toledo, destacou os motivos que fazem da série um trabalho de excelência. "Há reportagens notáveis por seu trabalho meticuloso de investigação independente; há investigações notáveis por usarem com propriedade técnicas de jornalismo de precisão para entrevistar os dados e extrair deles conteúdo jornalístico relevante e de interesse público; há reportagens investigativas que provocam impacto na sociedade e mudam a vida das pessoas. Nenhuma delas é comum, mas são muito raras as que conseguem reunir essas três características de uma vez só. É o que faz da série Diários Secretos, da Gazeta do Povo, um caso exemplar de jornalismo investigativo relevante, impactante e preciso. Nada mais justo que tenha sido escolhida para ilustrar as consequências positivas do jornalismo investigativo no Brasil, em seu projeto em parceria com o Google", diz.

A Rede Mundial de Jornalismo Investigativo (GIJN, na sigla em inglês) elaborou um site em que reúne as reportagens, além de entrevistas e dados que comprovam o quanto os trabalhos jornalísticos bem feitos contribuem para o desenvolvimento social e o combate à corrupção. Mais informações podem ser consultadas em http://impact.gijn.org/. A seleção reúne reportagens de dez países. Encabeçando a lista dos trabalhos jornalísticos mais impactantes está o caso Watergate, publicado pelo jornal Washington Post, e que culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, em 1974.

Resultado na Alep

Abib Miguel, que era diretor-geral da Assembleia à época da série, deixou o cargo e chegou a ser preso. As investigações que o Ministério Público abriu a partir da série já comprovaram mais de R$ 250 milhões em desvios, mas os promotores estimam que o valor usado irregularmente pode chegar a R$ 1 bilhão. A série consumiu dois anos de trabalho e resultou em um banco de dados com as informações sobre as contratações de funcionários pela Assembleia. Até o trabalho ser realizado, diários oficiais da Casa não estavam disponíveis para consulta.

A série levou milhares de pessoas às ruas em protestos. O MP criou uma força-tarefa para investigar os casos, rendendo processos criminais e cíveis. As investigações continuam e mais processos devem ser ajuizados. Contudo, até agora, 15 pessoas já foram condenadas.

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