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São Paulo

Suposto comparsa de maníaco é portador de HIV

O pai-de-santo Elson José Messaggi, de 42 anos, preso na manhã desta sexta-feira suspeito de ter agido como comparsa de Ademir Oliveira do Rosário, de 36, o "maníaco da Cantareira", confirmou à polícia que é portador do vírus HIV.

Em depoimento, ele afirmou que é HIV positivo desde 1997 e não comentou se usava preservativos com os parceiros. Ele negou a participação no assassinato dos irmãos Francisco Oliveira Ferreira Neto, de 14, e de Josenildo José Oliveira, de 13. Mas admitiu que é homossexual e que, como Rosário, atraía adolescentes com idades entre 14 e 15 anos para fazer sexo na mata da Cantareira. Em troca, ele disse que oferecia balas e refrigerantes, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Durante uma acareação entre os acusados, Rosário afirmou que esfaqueou o adolescente mais velho e que Elson assassinou o mais novo. Messaggi admitiu apenas que conhecia os rapazes mortos, mas negou envolvimento no crime.

Para chegar a Messaggi, os policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) utilizaram uma foto encontrada no celular de Rosário que foi tirada às 16h51 do dia 22, quando ocorreu o crime. Na foto, o pai-de-santo aparece na mesma mata em que ocorreram os assassinatos. Os rapazes haviam desaparecido por volta das 11h deste dia e também foram fotografados pelo maníaco. Messaggi contou à polícia que encontrou-se com Rosário por volta das 14h. Ele foi localizado às 10h de sexta-feira em seu terreiro, no Jardim Elisa Maria, região de Brasilândia, na zona norte.

Em um primeiro depoimento, Rosário já havia afirmado que agiu com o suposto comparsa no primeiro depoimento. Depois de reconhecido pelo maníaco, o pai-de-santo teve a prisão temporária decretada pela Justiça. A delegada Cíntia Tucunduva, que conduz as investigações vê "fortes indícios" de participação de Elson, mas ainda não o indiciou pelos assassinatos.

Rosário já foi reconhecido por 21 adolescentes vítimas de abuso sexual na Cantareira, mas nenhum deles mencionou a participação de um comparsa.

Irregularidades

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) apontou nove irregularidades no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 2 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. A unidade é a mesma em que Ademir do Rosário cumpria pena em regime semi-aberto. A vistoria foi feita em 31 de agosto. Pelo relatório, não há nenhum farmacêutico para controlar os remédios ministrados aos internos.

Faltam também auxiliar de laboratório, dentista, nutricionista e terapeuta ocupacional. São 14 auxiliares de enfermagem para 210 presos internados e apenas um enfermeiro - deveriam ser seis -, segundo o Cremesp. São oito psiquiatras, quando o padrão de lotação é de ao menos 13. O controle obrigatório de temperatura da geladeira, que armazena os medicamentos, não foi encontrado pela entidade. É impossível saber se os remédios estão sendo armazenados em temperatura adequada.

- Esse hospital tem que ser recomposto - afirma João Ladislau Rosa, diretor de Fiscalização do Cremesp.

A secretaria de Administração Penitenciária, responsável pela unidade, se recusou a responder às denúncias do Cremesp. Limitou-se a informar que a irregularidade "diz respeito à ausência de nomeação dos cargos de diretor clínico e diretor de perícia, privativos de médicos", o que está sendo providenciado.

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