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Campo de Marte

Treino do piloto não evitaria acidente do Learjet, diz Associação dos Pilotos

Treinamento nenhum teria evitado a queda do Learjet sobre uma residência no último domingo, que matou oito pessoas, seis delas de uma única família. Quem afirma é o presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves, George Sucupira. Para ele, a pane no motor foi a responsável pelo acidente. Nesta terça, a Reali Táxi Aéreo informou que o piloto Paulo Roberto Montezuma Fermino, de 39 anos, não tinha passado pelo treinamento que simula situações de risco , conforme determina a legislação brasileira desde o início deste ano.

- Da forma como o acidente ocorreu, com pane na decolagem, treinamento nenhum resolveria - disse Sucupira.

O coronel aposentado da Aeronáutica e ex-investigador de acidentes aéreos Gustavo Franco Ferreira afirmou que tudo indica que o motor direito sofreu pane na decolagem e teve de ser desligado. A suspeita é que a pane tenha se repetido no segundo motor.

- Houve pane do motor direito na decolagem e ele precisou ser cortado (desligado). A pane na decolagem é um procedimento crítico. Só um entrosamento muito bom entre os aviadores evitaria um acidente - afirmou o coronel.

Assim como indicaram os computadores de bordo do avião da TAM que caiu em julho, a posição dos manetes no Learjet da Reali Táxi Aéreo também eram diferentes.

O manete encontrado pelos bombeiros estava com a alavanca esquerda para frente, indicando aceleração máxima no motor esquerdo. Já a alavanca da direita estava para trás, sugerindo que o motor direito havia sido desligado por pane. Walter Cyrillo, chefe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), a posição dos manetes não prova nada, pois podem ter sido alteradas no impacto da queda.

A dúvida pode ser esclarecida com a análise do Deec (Digital Eletronic Engine Control), retirado da causa do jato, a parte menos afetada da fuselagem. O equipamento registra o funcionamento do motor segundos antes do impacto e pode ser mandado para os Estados Unidos para análise. A gravação de voz dos pilotos na cabine também deve ser ouvida e ajudará na investigação do acidente.

Maioria dos pilotos de jato ainda não treinou em simulador

O diretor comercial da Reali Táxi Aéreo, Ricardo Gobetti, afirmou que o piloto faria o treinamento para situações emergências no ano que vem e disse que ele tinha 10 mil horas de vôo, metade delas em Learjet. O treinamento é obrigatório a cada dois anos, mas a determinação só foi dada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em janeiro último. A Reali não é a dona da aeronave. Os proprietários foram os últimos passageiros do Learjet e viajaram de Angra dos Reis a São Paulo.

Nesses cursos, são treinadas de forma exaustiva, em terra, as reações dos pilotos em situações de pane ou risco. O engenheiro aeronáutico Ricardo Chilelli também afirma que a maioria das empresas de táxi aéreo ainda não cumpriu a norma da Anac.

- Você esquece que não está voando. São treinadas situações de emergência, como uma pane no motor após a decolagem - explica o comandante Leonardo Montandon, de 31 anos, chefe dos pilotos da Alliance Jet Táxi Aéreo, de Sorocaba.

Segundo ele, a maioria das empresas de táxi aéreo no Brasil "ainda enxerga o treinamento como um curso caro". Cada curso de simulação de um Learjet custa US$ 16 mil (R$ 28 mil). O treinamento é nos Estados Unidos.

Montandon considera relevante a informação de que o comandante não fez o curso.

- Sem a simulação, o piloto não tem a agilidade e a destreza para reagir rápido, por mais experiência que tenha - diz.

A Anac confirma que houve pedidos de prorrogação de prazo para que os pilotos passassem pelo treinamento. Segundo a agência, isso ocorreu por falta de horários disponíveis no simulador da empresa americana. A partir do momento em que relataram o problema, as companhias ganharam mais seis meses de prazo.

Duas semanas antes do acidente, o piloto Montezuma Firmino, que comandava o Learjet, reclamou a um amigo da falta de manutenção de aeronaves. A irmã diz que o piloto afirmou que tudo ficou mais difícil depois da queda do avião da TAM, em julho passado.

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