
Casos de divergências com colegas vereadores não faltam às três mulheres que por mais tempo ocuparam mandatos na Câmara de Curitiba: Rosa Maria Chiamulera (eleita de 1982 a 1992), Julieta Reis (de 1996 a 2004) e Nely Almeida (de 1988 a 2004). Os motivos variavam, na época, de xingamentos machistas à discussão da importância sobre o peso das mochilas.
Numa dessas desavenças, Nely Almeida chegou a dar bofetadas num vereador, há dez anos. Ela diz que tinha certeza que foi ele que atirou no comitê dela. "Ele veio para cima de mim na Câmara e eu, com a raiva que estava, fui para cima dele."
Outra situação que tirou a vereadora do sério foi quando um político mandou ela ir para casa lavar o paletó do marido. Nely retrucou com um "vá o senhor cuidar dos seus porcos".
Nely acredita que os tempos mudaram. "Antigamente a presença das mulheres era incomodativa", diz a vereadora que irá disputar sua última eleição. Ela cita que chegar à Câmara Municipal é um processo difícil e caro.
Foi por causa de condições financeiras e do aborrecimento que Rosa Maria Chiamulera não se candidatou mais. A vereadora, que se vestia da cabeça aos pés de rosa e possuía um Fusca nesta cor, apresentou projetos voltados à mulher, como planejamento familiar gratuito, teste do pezinho para criança e prevenção da violência contra a mulher. Ela discutiu com políticos que não concordavam com o direito de as mulheres planejarem quantos filhos gostariam de ter.
Julieta Reis acredita que as desavenças não acontecem por preconceito. "Não é bem preconceito, é minoria. Nós ainda somos minoria na atividade política e, como minoria, sempre tem um pouco mais de dificuldade." Ela defende um equilíbrio de poder entre homens e mulheres, que têm visões diferentes, segundo a vereadora. Como exemplo, Julieta cita uma discussão que teve com os colegas sobre o peso das mochilas carregadas pelas crianças. Para a vereadora, tratava-se de um assunto importante, tanto que apresentou um projeto de lei sobre a questão. "Os vereadores acharam que era bobagem." (BMW)







