Saudações, notívagos! Prometo que será a última vez em que tocarei no assunto do tumulto envolvendo policiais militares e os participantes do pré-carnaval no Largo da Ordem, no último domingo. Mesmo porque eu estou desfrutando de uns dias de férias, e pretendo usá-los justamente para aproveitar o magnífico carnaval de rua do Rio de Janeiro.
Muito já foi dito, escrito, filmado e desenhado (salve, Paixão!) sobre os tristes acontecimentos do último domingo. Mesmo eu já havia expressado minhas opiniões a respeito, ao compartilhar e comentar relatos e manifestações do episódio. Mas me senti na obrigação de ir um pouco além, diante da vergonha por ter sido eu quem escreveu a matéria publicada nesta mesma Gazeta do Povo no último sábado (“Garibaldis e Sacis vem com tudo”), na qual eu informava que a festa estava garantida, e sugeria que os foliões poderiam brincar sem medo – já que a prefeitura daria mais estrutura e a Polícia estaria presente, para “garantir a segurança” das milhares de pessoas que iriam ao Largo da Ordem.
Diante disso, eu mesmo resolvi acompanhar o bloco. Cheguei por volta das 17 horas, me infiltrei na multidão, brinquei, dancei ao som das marchinhas, tomei cerveja, segui o caminhão na descida para o Largo, encontrei amigos… tudo isso feliz e orgulhoso de ver na minha cidade uma festa desse tamanho, com tanta gente diferente, se divertindo e celebrando a vida na mais completa harmonia.
Havia góticos misturados com punks, metaleiros, neohippies, moderninhos, playboys e patricinhas, universitários, mendigos, maconheiros, nerds, “gente normal”, famílias, velhos e crianças cantando e dançando sucessos de antigos carnavais e marchinhas novas e autorais, falando da nossa terra e da nossa gente.
Só quando o caminhão de som se dirigia ao bebedouro, e um pequeno incêndio num carrinho de pipoca provocou um princípio de pânico, foi que eu me dei conta de que – ao contrário do que eu havia afirmado na matéria – a Polícia NÃO ESTAVA LÁ. E, como pudemos constatar pouco depois, teria sido melhor se não tivesse aparecido mesmo. Afinal, enquanto a Polícia esteve ausente, tudo transcorreu na maior tranquilidade. O tempo todo, os músicos do Garibaldis e Sacis lembravam para todos “cuidarem uns dos outros”. Até o fogo no pipoqueiro foi rapidamente controlado, pelos próprios “civis”.
Quando finalmente apareceu, a Polícia meteu os pés pelas mãos. Ainda que possa ter havido excessos e provocações por parte de alguns “foliões” (a repressão teria sido em resposta a garrafas e pedras arremessadas contra viaturas), a reação foi obviamente desproporcional. Se alguém jogou pedras e garrafas, cabia à Polícia deter os responsáveis – não fazer um “arrastão” movido a gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha. O que, por sua vez, acabou servindo de pretexto para que vândalos saíssem quebrando tudo nas ruas do entorno. Por tudo isso, seria cômica – se não fosse trágica – a infeliz declaração do secretário estadual de Segurança Pública, Reinaldo de Almeira César, segundo quem a ação da PM foi “muito positiva”. Desse tipo de polícia ninguém precisa…
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Não estava lá, não sabe o que aconteceu? O bravo editor do Gaz+, Cristiano Castilho, que filmou a operação e chegou a ser agredido pela Polícia, conta tudo aqui:
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Um pequeno lembrete aos cidadãos “de bem” que têm se manifestado contra a “baderna” promovida por “bêbados” e “drogados” nos espaços públicos da nossa querida Curitiba – afinal, “aqui não é o Nordeste”: o carnaval não é uma invenção tupiniquim, carioca ou dos “nordestinos”. Nós apenas assimilamos e adaptamos os costumes trazidos pelos imigrantes europeus (“aquela gente branca, limpa e civilizada”). Você que enche o peito para manifestar sua ascendência europeia, pergunte aos seus parentes mais velhos sobre a folia na Alemanha, na França, na Itália ou em Portugal… algumas eram (ou são) bem mais agressivas, com guerras de farinha, água, ovos, perfume etc. Mais: pergunte a eles sobre os antigos carnavais de Curitiba mesmo, com seus inúmeros blocos de rua. E agradeçam ao Garibaldis e Sacis, por estarem resgatando essa tradição.
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