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Nem a popularidade da Lava Jato suporta um duplo auxílio-moradia, descobre o juiz Marcelo Bretas

  • PorMadeleine Lacsko
  • 29/01/2018 12:32
Nem a popularidade da Lava Jato suporta um duplo auxílio-moradia, descobre o juiz Marcelo Bretas
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“Ouça a voz rouca das ruas”, recomendava de forma sábia Ulysses Guimarães. Não é dito novo, provavelmente tenha sido repetido por todos os grandes estadistas da história. Está registrado até na Bíblia, em Provérbios, um elenco de conselhos do Rei Salomão: “A sabedoria clama em alta voz nas ruas, ergue a voz nas praças públicas, nas esquinas das ruas barulhentas ela clama, nas portas da cidade faz o seu discurso.”

O juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, resolveu comentar reportagem que mostra como ele ganhou na Justiça o direito de acumular auxílio-moradia com o da mulher.

Na letra fria da lei, ele está correto: ganhou o direito e, embora o CNJ tenha dito que casais que moram juntos não possam acumular o auxílio, ele recorreu ao Poder Judiciário e venceu. Não há nada de ilegal nisso, muito pelo contrário. Por isso ironizou a reportagem:

Ocorre que o povo, por mais que respeite profundamente os atos de coragem e a correção do magistrado, não consegue mais compreender esse tipo de remuneração. Os auxílios-moradia já são “trigger-words”, palavras-gatilho. Quem recebe automaticamente perdeu a discussão, não importa se está correto ou não, não se conta a quantidade de serviços prestados ao país.

Já fui assessora e prestei consultoria em associações de juízes. Há uma distância abissal entre o universo dos que prestam concurso para decidir sobre a vida de toda a população e a realidade do país. Falamos de uma bolha que pouco tem contato com a forma de viver ou as dificuldades do povo, mas toma as decisões de vida e morte para ele.

É por esse distanciamento, característico não apenas do Judiciário, mas de outras esferas de poder e de influência, do jornalismo, da intelectualidade, do universo cultural, que muitos indivíduos brilhantes deixam de perceber a sabedoria do povo, o que é aceitável ou não para a sociedade em que vivemos.

Não há dúvidas de que todo o país reconhece os méritos do juiz Marcelo Bretas, os riscos que assume ao enfrentar a criminalidade organizada dentro do poder constituído, a postura irretocável ao não se dobrar às constantes ameaças.

Ainda assim, se ele acumular auxílio moradia com a esposa, vai receber uma chuva de xingamentos revoltados nas redes sociais – e não vai adiantar bloquear os mais incômodos.

Em tempos de instituições corroídas e da dolorida derrocada de quem chegou ao poder prometendo a ética na política, mas se deixou seduzir pelo luxo das elites que combatia, o povo busca novas lideranças que não sejam atraídas pelo mesmo canto da sereia.

No frigir dos ovos, pouco importa para a população se é um direito legítimo, ele foi arquitetado por instituições carentes de confiança e projeta a ideia de que uns são mais iguais que os outros. Os maus casam com os erros, os bons aprendem com os passos amargos da vida.

Talvez, até aqui, o juiz Marcelo Bretas tenha visto seu papel mais importante como a expertise técnica no julgamento de um dos casos de maior impacto da história do Brasil. Vai além. Esses servidores públicos não esperavam, mas têm um papel social: mostrar que é possível fazer diferente do que temos visto até hoje no país.

Aposto que nenhum dos operadores do Direito envolvidos na Lava Jato jamais imaginou que teria essa função ao se inscrever no concurso público. De alguma forma, eles se tornaram o símbolo da novidade para o país e o povo espera deles não apenas o justo e o correto, mas o exemplo. É um peso enorme para gente tão jovem.

Na tarde desta segunda (29), Bretas divulgou também em seu perfil no Twitter uma nota assinada pelo juiz Fabrício Fernandes de Castro, presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Ajuferjes), texto que defende o pagamento do auxílio e chama a contestação do benefício de “campanha para tentar desmoralizar os juízes federais brasileiros”. “A quem interessa essa campanha? A quem trabalha contra a corrupção e pelo Estado de Direito ou aos corruptos?”, aponta o texto.

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