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A convenção nacional do PTB é só no próximo dia 28, mas a Executiva Nacional esteve reunida hoje em Brasília e já aprovou por unanimidade a coligação do partido com o PSDB de Geraldo Alckmin, que deve ser o candidato apoiado pelo partido à presidência da República. O tucano vai participar do encontro do PTB, segundo o anúncio.

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O documento, assinado pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, é inteiramente centrado nas características da personalidade do ex-governador de São Paulo, exatamente as que lhe renderam o apelido “picolé de chuchu”, cunhado pelo jornalista José Simão, no início da carreira política. Hoje, num cenário eleitoral onde os problemas do país parecem passíveis de solução a golpe de bravata e frase feita, o temperamento ponderado vira ativo importante.

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O Brasil precisa de construtores como Geraldo Alckmin, e não de gladiadores. E o PTB não constrói barreiras, o PTB constrói pontes. – diz o documento assinado por Roberto Jefferson

O partido sedimenta uma aliança de décadas e muito forte no Estado de São Paulo, onde o deputado estadual Campos Machado mantém uma relação umbilical com os governos tucanos durante todos os mandatos, tendo ampla influência na administração, na Assembleia Legislativa e muito prestígio entre os prefeitos.

No cenário nacional, a aliança do PTB com o PMDB de Michel Temer rendeu a Roberto Jefferson uma dor de cabeça que até lhe tirou do horizonte o plano da candidatura a deputado federal por SP. O Ministério do Trabalho, cedido “de porteira fechada” ao partido, foi descrito pelo presidente da legenda como “a cabeça de burro enterrada” no PTB, ou seja, a maldição lançada nas bases do partido.

Ao optar por Geraldo Alckmin no lugar da candidatura de Henrique Meirelles (ou de qualquer outra), o PTB opta pela manutenção da aliança mais frutífera que já fez, com o PSDB de São Paulo.

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Já que não tem candidato próprio, seria difícil imaginar como ficariam os palanques na disputa estadual se, depois de décadas servindo como base, suporte e porta-voz dos governos tucanos, o PTB de Campos Machado estivesse ao lado de qualquer outro candidato que não o governador Geraldo Alckmin, que defendeu dia sim outro também na Assembleia Legislativa. Roberto Jefferson já anunciava a tendência do apoio desde o ano passado, a diferença agora é que fez a Executiva Nacional se adiantar formalmente à decisão da Convenção Nacional do partido.

Se o poder político do PTB paulista tem enfraquecido pela idade e pelo estilo de política praticado pelos seus caciques, a decisão de Roberto Jefferson pode ter o condão que oxigenar e rejuvenescer as forças políticas ao voltar os olhos para uma campanha nacional, saindo na frente de qualquer decisão da executiva e levando Alckmin para os braços do partido em todo o país.

Resta saber se isso fará, efetivamente, diferença na votação do tucano.

 

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