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A ideologia nunca faltou nos governos do PT, mas essas últimas semanas foram ímpares, com um festival de casos que seriam hilários se também não fossem trágicos.
Em 2027, as escolas e universidades – inclusive as particulares – serão obrigadas a não ter aula nos dias da Copa do Mundo feminina de futebol. Isso é o que acontece quando o país do futebol encontra o país do feminismo marxista! Na terça-feira passada, a CCJ da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que prevê tornozeleiras eletrônicas cor de rosa para agressores de mulheres. Agora sim, as mulheres estarão seguras! Na quarta-feira, a presidente da OAB do Espírito santo chamou de “destemperada” uma desembargadora e, apesar da falta de bom tom no comentário de cunho pessoal, foi acusada de misoginia (que no Brasil está para virar crime). A Defensoria Pública de Minas Gerais criou uma “Escola de Masculinidades” (assim, no plural) para adolescentes e criminosos; o curso “visa desconstruir padrões” (eles adoram esse verbo!). E nem preciso comentar a decisão da juíza do caso Henry Borel, de algumas semanas atrás.
Passamos da espoliação pura do coronelismo ignorante à ideologia cega de enganadores profissionais
No campo da segurança pública e do crime organizado, a vereadora do Psol de Porto Alegre que, em novembro do ano passado, afirmou que os traficantes de drogas são "trabalhadores mega explorados" (coitadinhos!) está fazendo escola. O Piauí sancionou uma lei que reserva vagas em contratos do Estado para presos em regimes aberto e semiaberto e ex-detentos. Agora, empresas contratadas pelo estado terão de destinar um mínimo 5% das vagas a pessoas “em processo de ressocialização”. E a imprensa surtou quando, na quinta-feira, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan presenteou vários líderes da Otan com um revólver, mas, como lembrou o especialista Benê Barbosa nas redes sociais, esses mesmos jornalistas não disseram nada quando Lula recebeu um AK-47, fabricado na Coreia do Norte e usado por guerrilheiros da milícia marxista FMLN, de El Salvador.
Não pode faltar a perseguição à religião. Uma promotora de Justiça interrompeu um evento da Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Rio de Janeiro (Acterj) para protestar porque um instrutor de crianças havia acabado de ler um poema sobre o “abraço de Deus”. Ela afirmou que a fé é uma questão privada e que orações em atos públicos são inconstitucionais. A Constituição brasileira pode até ser muito prolixa, mas ela não diz nada a esse respeito. Na terça-feira, o famoso empresário Tallis Gomes revelou que está sendo processado porque permitiu que seus funcionários rezassem em sua empresa – repare: foram eles que pediram, o empresário apenas aceitou. E isso em uma empresa “privada”! E todos já conhecemos os inúmeros casos de denúncias contra alunos que se organizam para rezar nas universidades. Marx deu a ordem quando, em 1844, afirmou que “a religião é o ópio dos povos”. Os demais apenas seguem a cartilha.
Por fim, ainda soubemos que o juiz que condenou uma família paulista por praticar homeschooling se dizia militante da causa LGBT nas mídias sociais. Um juiz, que deveria ser imparcial!
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Quem reclamava que os “partidos no Brasil não têm ideologia” agora está levando uma overdose de ideologia. Passamos da espoliação pura do coronelismo ignorante à ideologia cega de enganadores profissionais.
Como disse o historiador Morris Berman, “uma ideia é algo que você tem; uma ideologia é algo que tem você”. A ideologia, como conjunto de ideias, é normal e inevitável; a ideologia como dogmatismo e cegueira é um problema enorme, porque, como disse o biólogo Edward Wilson, “a ideologia pode corromper a mente e a ciência”. Ninguém mediu ainda o impacto de todas essas decisões listadas no começo da coluna, muito menos seu custo-benefício e suas consequências não intencionais. Mas não é difícil imaginar onde isso vai terminar.
Lula governa com favores concretos para bilionários e capitalistas de compadrio; para os demais, usa ideologia e palavras vazias, pois as eleições se aproximam e a base militante precisa ser alimentada, tanto com as velhas ideologias marxistas de 1800 – socialismo, trabalhismo, sindicalismo etc. – quanto com as novas ideologias socialistas woke, que gradualmente viram senso comum.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Adriano Gianturco é professor, doutor em Ciência Política, coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC e autor dos livros “Mentiram para nós sobre o Brasil”, “A Ciência da Política” e “O empreendedorismo de Israel Kirzner”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



