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Adriano Gianturco

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Educação

Se depender do PNE, nossas crianças continuarão sem ler nem contar direito

Sanção Plano Nacional de Educação
Cerimônia de sanção do Plano Nacional de Educação, em 14 de abril. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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Lula acabou de sancionar o novo Plano Nacional de Educação, em perfeito estilo soviético. O plano é dividido em 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. Enorme, um livro dos sonhos, tem de tudo, até crases erradas!

Nossas crianças e adolescentes não leem nem fazem contas direito, mas a visão geral do texto se resume às expressões “diversidade e inclusão”, “controle social e participação democrática”, “combater as desigualdades”, “sustentabilidade ambiental”, “cidadania”, “transformações da sociedade e do mundo do trabalho”, além de mais gasto e planejamento central compulsório. O plano fala em reduzir desigualdades, como no trecho sobre “a desigualdade de acesso à creche entre as crianças do quintil de renda familiar per capita mais elevado e as do quintil de renda familiar per capita mais baixo”, ou quando se propõe a “reforçar e consolidar o papel redistributivo da União e dos estados”, além das centenas de medidas para crianças “negras, indígenas, quilombolas, do campo, das águas e das florestas”.

É puro planejamento soviético: o PNE fala em definir “instrumento nacional para levantamento da demanda por vagas em creche” e em “promover a expansão quantitativa e qualitativamente planejada, [de cursos de graduação] a partir de um diagnóstico de demanda e das necessidades de desenvolvimento econômico, local e regional”. O PNE insiste, ainda, na gratuidade das universidades federais e estaduais, mesmo que poucos países usem esse modelo.

O problema do Brasil não é gastar pouco com educação; o problema é gastar mal. Não adianta colocar mais gasolina em um tanque furado

Enquanto o mundo segue na direção oposta, o PNE quer aumentar as horas que as crianças passam na escola (o objetivo final é o chamado “tempo integral”). Lula já disse, explicitamente, em 2023, que “um monte de coisa precisa ser discutida na escola porque a criança pode mudar a cabeça do pai” – teremos mais doutrinação a caminho?

As metas são ilusórias: sair dos atuais 66% para 100% de alfabetização, não obstante a meta anterior já ser 100% e não ter sido alcançada mesmo assim; subir para 100% o número de diretores de escolas selecionados com processo seletivo – em 2024 a meta já era 100%, mas só se conseguiu 12,9%. E, sem ter dados históricos e atuais, também se coloca a meta 100% nos seguintes itens: qualidade de educação infantil, número de estudantes com nível adequado de aprendizado no ensino fundamental e médio, indígenas e quilombolas matriculados na educação básica, e redes de ensino com planos de sustentabilidade. Fala-se de qualidade o tempo inteiro, mas sempre sem parâmetros objetivos. A elogiar, apenas o objetivo de aumentar o ensino técnico e profissionalizante.

Como se não bastasse, querem um aumento de gasto, chegando a 10% do PIB. Quantidade, no entanto, não é sinônimo de qualidade! O Brasil já é um dos países que mais gastam com ensino, (cerca de 6%, como Finlândia, Dinamarca, Israel e Reino Unido); o problema não é que gaste pouco; o problema é que gasta mal. Não adianta colocar mais gasolina em um tanque furado.

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A situação do ensino brasileiro é gravíssima, os problemas são vários. Estamos na rabeira do Pisa, o mais importante ranking internacional da área; desde 2023, estagnamos ou até pioramos. O PNE, no entanto, cita o Pisa apenas duas vezes, e não para melhorar nossa performance, mas para ampliar sua aplicação! Temos pouca pesquisa científica e de baixa qualidade internacional; a indisciplina em sala de aula é maior que a média mundial; o status do professor é baixíssimo; e o custo do sistema é enorme.

Mas em um item temos excelência: a doutrinação rola solta. O foco da escola brasileira é a tal “consciência crítica” e “cidadania”, meros cavalos de Troia para a crítica ao capitalismo, à mineração, ao agronegócio. Tudo se resume a culpar a colonização e os portugueses, endeusar os índios e o Estado, falar de feminismo já no ensino fundamental, e até falar abertamente de política partidária; pura e simples lavagem cerebral, sem igual em nenhum outro país democrático! Não por acaso os alunos vão mal em Português, Ciências e Matemática, mas repetem todos as mesmas palavras idênticas sobre essas questões políticas. Objetivo alcançado!

Educação é um tema complexo e multifatorial, mas ninguém precisa reinventar a roda; basta olhar o que fazem os países com as melhores performances no Pisa, e adaptar só o estritamente necessário.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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