Conforme o esperado, a economia brasileira desacelerou no 2º trimestre de 2025. O país cresceu 0,4% em relação ao 1º trimestre, período no qual o PIB havia subido 1,3%.
Pela ótica da demanda (destino da produção), o crescimento de 0,4% foi puxado essencialmente pela alta do consumo das famílias (0,5%). Em sentido contrário, houve queda de 0,6% dos gastos do governo e de 2,2% da formação bruta de capital fixo (investimento).
Apesar do aumento do consumo, a queda dos investimentos das empresas é preocupante, uma vez que essa variável é determinante para que o país cresça a taxas sustentáveis por períodos mais longos, evitando o chamado “voo de galinha”.
Provavelmente, a redução da formação bruta de capital fixo decorreu de dois fatores: aumento da taxa de juros para pessoas jurídicas e piora das expectativas dos empresários.
A elevação do custo da dívida para as empresas resultou do aumento da Selic iniciado pelo Banco Central no ano passado. Como se sabe, a elevação da taxa básica de juros aumenta o custo do crédito bancário e da emissão de debêntures, tornando os investimentos mais onerosos para as empresas.
O patamar da taxa de juros não é o único fator que leva o empresário a investir. O apetite ao risco, ou “espírito animal”, como diria Keynes, é outra variável determinante. Basicamente, se o empresário tem boas perspectivas de lucro, acreditando que o retorno do investimento será superior ao seu custo, ele investe.
No Brasil de hoje, tanto a taxa de juros quanto o apetite ao risco têm sido entraves à ampliação dos investimentos, principalmente em função do governo federal.
No primeiro caso, o elevado gasto público, associado aos subsídios fiscais, tem pressionado a demanda acima da capacidade produtiva do país, gerando, invariavelmente, inflação. Com a inflação mais elevada, o Banco Central não tem outra alternativa a não ser aumentar os juros para conter a alta generalizada e persistente dos preços.
Sob esse raciocínio, é uma falácia acreditar que o Banco Central seja o responsável pelos juros mais elevados no Brasil — e, portanto, pelo menor crescimento econômico — quando, na verdade, a autoridade monetária só age em resposta à elevação da inflação, gerada em boa parte pela política fiscal expansionista do governo federal.
Em última análise, quem é responsável pelo encarecimento do crédito no país é o governo federal, com suas políticas econômicas que geram mais inflação, obrigando o Banco Central a subir a Selic.
Soma-se a isso a falta de perspectiva do governo federal em cortar gastos. O risco fiscal, somado às incertezas eleitorais e jurídicas no Brasil, leva evidentemente a mais cautela por parte dos empresários. Não à toa, o índice da bolsa (Ibovespa) — melhor termômetro para medir as expectativas futuras — sobe a cada aumento de Tarcísio nas pesquisas para a disputa presidencial ou a cada queda da popularidade de Lula.
É claro que Lula ainda é um candidato forte, mas a desaceleração da economia, combinada com inflação elevada, aumenta a probabilidade de sua derrota em 2026. É por essa razão que há uma aparente contradição entre a diminuição da atividade econômica e a alta da bolsa.
A leitura do mercado é clara: sabe-se que o presente é ruim, mas aposta-se em uma mudança de rumo econômico em 2027, provavelmente com Tarcísio assumindo a presidência.
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