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Manifesto Tucanista: anacronismo que Piketty e Dilma aplaudiriam de pé
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Quando menos se espera, os fantasmas de Thomas Piketty e Dilma Rousseff reaparecem para assombrar o país. A tentativa de criação de um híbrido de pikettysmo com dilmismo aconteceu pela mão canhota do ITV (Instituto Teotônio Vilela), think tank responsável pela formação política do PSDB e que ajuda a entender o vazio ideológico da oposição consentida que há anos serve de alívio cômico para o petismo.

“O Brasil Que Queremos”, texto constrangedor, pedestre e retrógrado do início ao fim, mistura platitudes contrabandeadas do socialismo francês com piscadelas acanhadas para o famigerado desenvolvimentismo que enriquece políticos e espertalhões às custas dos que, como diria Cazuza, ficam na porta da festa estacionando os carros. Esconda sua carteira.

Ninguém deveria se espantar com o esquerdismo de butique do ITV, presidido pelo amigo pessoal de Dilma Rousseff e companheiro de luta armada José Aníbal. O Manifesto Tucanista, divulgado na última terça (28), poderia ser assinado pela economista “work alcoholic” que deixou como legado ao país a maior recessão de sua história. Alckmin e Aécio não foram enxotados da Paulista nas manifestações de 2016 por acaso.

O Manifesto Tucanista conseguiu descontentar até intelectuais do partido como a economista Elena Landau, ex-diretora de privatização do BNDES do governo FHC. Para ela, é um “documento velho” e “não traz nenhuma novidade e proposição”. Tem toda razão.

“O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar”

Roberto Campos

Não vou incomodar você com os detalhes do documento, mas dois pontos merecem destaque: o “estado indutor da economia”, um eufemismo dilmista para estado intervencionista, e a defesa de uma reforma tributária que promova a “progressividade” em busca da “justiça fiscal”, outra aberração criptosocialista em ressonância com as idéias indefensáveis de Thomas Piketty, autor que causou frisson em 2014 mas que hoje só é levado a sério por gente que ninguém deveria levar a sério.

A burocracia governamental não deve ser “indutora” de nada, muito menos da economia onde é particularmente incompetente, ineficiente e corrupta. O intervencionismo estatal, tratado como “terceira via”, um “meio caminho” entre direita e esquerda ou entre liberalismo e socialismo, não passa de socialismo gradualista, implementado com paciência e sem alarde. Qualquer proposta política que defenda o estado como “desenvolvedor” é antiliberal e de matriz socialista na essência, mesmo que não ouse dizer seu nome.

Quem promove crescimento econômico, é incrível ter que repetir isso em 2017, são os empreendedores (não confundir com empresários), são os inovadores, os tomadores de risco, os investidores no setor produtivo, os que arriscam seus recursos no mercado livre na luta pela preferência do consumidor, num ambiente de negócios com segurança jurídica, confiança e ordem pública.

Todo dinheiro “investido” pelo estado foi surrupiado da sociedade em algum momento e é esse seu pecado de origem. É o empreendedor, o agente econômico privado, que tem o incentivo correto para buscar eficiência no investimento, produção e distribuição dos bens, gerando mais oportunidades e abundância, o que leva a uma melhor qualidade de vida para o maior número de pessoas possível.

Grande parte da crise inédita que o Brasil vive é fruto da visão torta de que o estado deve pilhar os recursos da sociedade, entregar para seus políticos e burocratas e estes decidirão como, quando e onde investir. Os mais de trezentos bilhões de reais gastos pelo BNDES nos últimos anos com negócios que envolviam as empresas de Joesley Batista, Marcelo Odebrecht, Eike Batista, entre outros, não são “investimentos” mas a devolução de parte do que foi retirado de todos nós sob o manto dos mais variados pretextos. A idéia de “campeões nacionais”, diga-se, é uma filha bastada do “Estado Corporativo” de Benito Mussolini.

Quando a decisão de negócios mais lucrativa do Brasil é pegar um avião para Brasília, o país se torna economicamente inviável, politicamente autoritário e moralmente corrupto.

Em economia, o ambiente de negócios fomentado pelo intervencionismo estatal é o que se convencionou chamar de rent-seeking, a busca irrefreável por lucro a partir de influências no sistema político ou social em detrimento do investimento privado na produtividade, inovação e qualidade de produtos e serviços. Quando a decisão de negócios mais lucrativa do Brasil é pegar um avião para Brasília, o país se torna economicamente inviável, politicamente autoritário e moralmente corrupto.

Não bastasse o aplauso tímido ao desenvolvimentismo emprestado de Dilma Rousseff, Getúlio Vargas e Ernesto Geisel, o instituto que serve de “cérebro” para o PSDB ainda pensa que vai promover “justiça fiscal” com impostos “progressivos”, uma punição explícita ao sucesso que afugenta investimentos, inibe o risco privado e cria dificuldades muito lucrativas para quem vende facilidades, algo que nunca deu certo ou vai dar.

Não há qualquer justificativa política, econômica ou moral, ao menos no pensamento liberal clássico de origem judaico-cristã, para que haja alíquotas diferentes por faixas de renda ou faturamento. Impostos justos são os que mantêm a mesma alíquota para todos, variando o valor bruto arrecadado por contribuinte em função de seus rendimentos mas mantendo a isonomia em termos percentuais.

O documento é mais uma lembranças da hegemonia ideológica esquerdista na classe política brasileira e que tanto atravanca o país. Um partido assumidamente social-democrata, alinhado com a esquerda americana e européia, é visto por muitos por aqui, quer seja por ignorância ou por má fé, como “de direita”, o que evidentemente não é. Os manifestantes da paulista sabiam o que estavam fazendo.

O Brasil melhora timidamente quando troca o bolivarianismo pelo tucanismo, mas continua tão distante quanto possível de alternativas verdadeiramente liberais que vêem o estado limitado ao papel de garantidor das leis e da ordem pública enquanto a sociedade fica livre para promover a geração de riqueza e o crescimento econômico.

Se tudo que o PSDB tem a oferecer ao país é um velho e carcomido socialismo francês de araque, é melhor que continue fazendo figuração na política e saia da frente de novas lideranças comprometidas com a liberdade e a prosperidade para todos e não apenas para as cracas grudadas no casco do estado.

 

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