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Como as Torres Gêmeas, o Supremo entrou em colapso. A diferença é que o ataque veio de dentro. Edson Fachin quer reverter a tentativa de suicídio. Mas é difícil não lembrar que foi ele quem provocou o colapso da Lava Jato, um símbolo do fim da imoralidade impune. E sofre resistência. Como um desastre de avião, a queda do Supremo é a soma de erros. “Erros não se anulam; se somam”, alertou o pragmático Delfim Netto. O presidente do STF em 2016 rasgou parte da Constituição para não punir a condenada Dilma Rousseff, e ninguém falou nada. Três anos depois, Dias Toffoli presidente, sem o essencial Ministério Público, criou o Inquérito 4.781 e, sem sorteio, nomeou Alexandre de Moraes relator. E só Marco Aurélio discordou e deu-lhe nome: Inquérito do Fim do Mundo. Então, passou a ser ferida não apenas a Constituição, mas o devido processo legal. E o presidente Luís Roberto Barroso, inspirado por Gilmar Mendes, resolveu converter o tribunal constitucional em tribunal político e criativo. Foi a pá de cal. Mas a reação nacional era de um escandaloso silêncio.
O Supremo passou a substituir o Legislativo, a ser constituinte, sem ter um voto sequer de representatividade do povo, origem do poder. E baixou sobre o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, uma toga preta a bloquear, tolher, censurar, apreender celulares e computadores, prender até mesmo os invioláveis por quaisquer palavras. O amplo direito de defesa e a liberdade de expressão foram obstruídos; a experiência de dominar por medo da Covid foi ampliada pelo medo do arbítrio, da Polícia Federal à porta às 6 da manhã. E, pior que tudo, tornando-se político, o Supremo deixou de ser imparcial; sem isenção, deixou de ser juiz. O olho clínico do povo foi vendo tudo. Queixou-se sussurrando, mas, ante escândalos de milhões, levantou a voz, como hoje. E, sendo patrão, está a exigir respeito. Primeiro, investigar o óbvio; depois, julgar. Em vésperas de eleição, investigação necessária.
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Penso que todos os que juraram defender a Constituição estão sendo perjuros, desde que isso começou, há anos, quando a Constituição foi submetida à vontade do juiz supremo. Na promulgação da Constituição, o presidente da Constituinte de 1988 sentenciou: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria!” No minuto seguinte à divulgação, por Malu Gaspar, do contrato entre a família Moraes e o Master, o artigo 101 da Constituição gritava: O Supremo compõe-se de 11 ministros… de reputação ilibada. Sem mancha. Os que juraram defender a Constituição deveriam denunciar a mancha, mas calaram, descumprindo o juramento.
Tribunal político, o STF divide-se agora entre os que apoiam Moraes e Lula e os que apoiam Mendonça e Flávio. O Supremo político ganhou uma extensão eleitoreira. Após o avião político atacar a torre de marfim do Supremo, agora é o da eleição a bater na outra torre e fazer tudo desmoronar. Débora só usava batom para o “perdeu, Mané” na deusa da Justiça. A politização criada pelo autor da frase não pode ser apagada como o batom da condenada por 14 anos. A política enfraquece as fundações da suprema corte. Quanto merecem os que destruíram a instituição? 14 vezes 140? Era tão fácil Moraes mandar a polícia apreender telefones... irá, nesta terça, o Supremo apreender o telefone de Moraes?
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.


