
Vemos a tendência das pessoas pela maneira como elas dão uma notícia, como a da decisão que concluiu que a eleição no Rio de Janeiro não precisa de segundo turno, porque Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu e, se ele não tivesse desistido, seu registro de candidatura seria anulado.
Portanto, os votos dele foram anulados e, sendo anulados os votos dele, o percentual se alterou e Douglas Ruas, do PL, foi eleito. Ele é o sexto governador eleito pelo PL, com 50,8% dos votos. Não, é 50,88%. Se você quiser arredondar 88 centésimos, você arredonda para 9, não é? É 50,9% ou 50,88%. Aí a gente já vê a tendência contra o Douglas Ruas.
Juiz vê xenofobia em episódio de restaurante
Um juiz de Pernambuco foi a Porto Alegre. Foi almoçar ou jantar num hotel, chegou fora de hora e perguntou para a garçonete o que havia. A garçonete disse: "Olha, agora é só à la minute". À la minute é a opção para o à la carte. À la carte é o que está no cardápio; à la minute é o que se faz na hora. Ele não sabia o que era isso, pensou que era o nome de um prato.
O sujeito que estava na mesa ao lado achou graça. O juiz viu como uma ofensa por causa do sotaque nordestino dele, como se fosse um crime de xenofobia. Que exagero, que vitimismo. Ele foi a Porto Alegre fazer uma palestra sobre ódio de gênero. Ódio de gênero é ódio contra todo mundo. Nós somos mamíferos, vertebrados, primatas, hominídeos, Homo e Homo sapiens. Gênero Homo. Vemos pela linguagem que está meio esquisito.
Essa linguagem de um juiz que não sabe o que é uma opção de cardápio. Ele postou na rede social. Se houve um ataque xenofóbico, é condenável. Mas aquela agonia dele de chegar no quarto e gravar tudo que gravou. Por que não deu voz de prisão para a pessoa? Se a pessoa estava cometendo um crime, pegava em flagrante ou ia à polícia. Que coisa estranha. Eu acho que ele aproveitou a oportunidade para aparecer, talvez.
Governo fala, incêndios avançam
Vejam só a ironia: incêndio por falta de cuidados de manutenção, já é o terceiro na Universidade Federal de Pernambuco. Há muito tempo que a universidade vem pedindo recursos federais e não aparece. Houve outro incêndio na Embrapa do Piauí. E não foi só isso, ocorreram incêndios também no Ibama e na Universidade Federal de Brasília. E parece que há um recorde de incêndios na Amazônia. O atual governo fala tanto de meio ambiente — é a mania de falar e não fazer.
Secretaria de Meio Ambiente do Pará está em boas mãos
Felizmente, o povo do Pará deu um bom resultado nas urnas. O Dr. Daniel (Podemos) é o novo governador e já anunciou que Vinícius Borba será secretário de Meio Ambiente. Borba é um advogado que defende o meio ambiente, a causa ambiental, mas defende sobretudo os brasileiros, porque todo o meio ambiente está em função do brasileiro. De toda a natureza, a parte principal é o humano.
A Secretaria de Meio Ambiente do Pará vai estar em boas mãos. Pode ser que agora o Pará passe a usar mais o seu potencial, que é muito grande. Vai ser um despertar do Pará, que está lá amarrado — o Rio Tapajós sofrendo por falta de dragagem que não pode. Não é só isso, não. É para amarrar a atividade e perseguir. Mas eu acho que agora vai.
Fachin nega a Fux acesso ao inquérito do fim do mundo
A estranha decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que estava querendo mostrar serviço. O ministro Luiz Fux pediu: "Olha, eu quero ter acesso a todo o inquérito do fim do mundo". A resposta: "Não, não pode". O artigo 37 da Constituição fala que, no serviço público, uma das características é a publicidade.
O Supremo é um serviço público, faz parte dos Três Poderes, é o Judiciário. É preciso saber o que estão escondendo nesse inquérito ilegal desde o primeiro momento, arbitrário, onde não se cumpriram cláusulas pétreas da Constituição. Esse inquérito é uma das questões que precisam ser resolvidas assim que a eleição passar.
Tragédia
Uma coisa horrorosa, a tragédia que ocorreu após um sujeito, o DJ Daniel Brasil, que parece que produz barulho. Ele saiu, dizem que tomou um remédio para dormir e bebeu álcool também, e pegou o carro — eu não sei por que estava dirigindo na contramão em alta velocidade —, foi perseguido pela polícia, passou pela calçada onde dormia Carlos Alberto Minotti e o arrastou. Interessante que todo mundo fala desse DJ e ninguém fala do Carlos Alberto Minotti. Por que será? Porque um homem de 57 anos chegou ao ponto da vida de dormir na calçada.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



