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Alexandre Garcia

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Roubo do INSS

Lulinha ainda não está a salvo após Dino blindar lobista

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Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, apontada como elo entre Lulinha e o "careca do INSS". (Foto: Luiz Silveira/STF)

Muita gente não entendeu a decisão do ministro Flávio Dino em um mandado de segurança impetrado pela defesa de Roberta Luchsinger. Ela é o braço direito do “careca do INSS”, foi ela quem o apresentou para Lulinha, tem uma mansão no Lago Sul onde recebia os dois. Dino suspendeu a quebra de sigilo dela, que tinha sido aprovada pela CPMI do INSS. Muita gente está achando que Dino está bloqueando a quebra de sigilo do Lulinha – a defesa dele já fez o pedido; quando gravei esta coluna, ainda não havia resposta. Mas a quebra de sigilo do Lulinha foi dupla: houve a da CPMI do INSS, mas também houve a quebra por ordem do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal. Os governistas que querem esconder as movimentações financeiras do Lulinha apelaram para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que ele interferisse na decisão da CPMI, mas ele não os atendeu.

Até agora, a decisão do ministro Dino se refere apenas à quebra do sigilo de Roberta Luchsinger, mas de certa forma isso beneficia Lulinha. Se ele não deixou rastro, porque está calejado, tudo foi feito pela Roberta Luchsinger, que é uma lobista e tem know-how: foi casada com Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal, e é neta de um grande ex-acionista do Credit Suisse, um grande banco internacional. Protógenes, quando fugiu do Brasil, foi para a Suíça, então ela sabe das coisas.

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Argumento de Dino para suspender quebra de sigilo expõe abuso do STF

A decisão do ministro Dino, no entanto, tem um “faça o que eu digo, mas não faça o que o Supremo fez”. O ministro argumentou que não pode haver quebra de sigilo em bloco, no coletivo, no atacado; é preciso individualizar. E você, que me ouve ou me lê, já sabe o que vou dizer: o Supremo não individualizou as denúncias e as condenações do 8 de janeiro. Julgava tudo por grupo: pegava 50, condenava 50. Do que Fulano é acusado? Ele fez realmente isso? Ele estava armado? Não; ninguém estava armado, a não ser com batom ou bíblias. Dino aplicou o princípio correto: se uma decisão vai prejudicar alguém, deve-se individualizar, explicar os motivos. Quais são os indícios que levam à quebra de sigilo de Roberta Luchsinger? Os indícios são bem óbvios, mas talvez tenha faltado à CPMI fazer essa individualização.

Ministro liberou documentário que o STJ havia censurado

Um dia antes, o mesmo Flávio Dino surpreendeu ao liberar aquilo que o Superior Tribunal de Justiça tinha censurado, um documentário sobre os Arautos do Evangelho. Uma produção da Warner que vai sair agora, neste semestre, no streaming HBO Max, se chama Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho. Conta a história desse grupo católico, fundado em São Paulo, que já está presente em 70 países do mundo e foi reconhecido pelo papa em 2001, e tem sido alvo de denúncias. Eu me interessei por eles quando fui visitar a basílica de Santa Maria Maior, uma das mais sensacionais entre as centenas de igrejas de Roma, e ouvi um sotaque paulistano lá dentro; era uma etapa de uma consagração de um grupo grande brasileiro dos Arautos do Evangelho, celebrada por um cardeal.

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O STJ havia censurado a série porque alguns processos contra os Arautos correm em sigilo. Mas a Warner explicou que não havia nada disso, que não tinha tido acesso a inquérito nenhum. Dino liberou, desde que não mostrem nada que seja de processos sigilosos, e disse que a decisão anterior fazia censura prévia. De novo? Será que era “só mais essa vez”, como fizeram com a Brasil Paralelo, que tinha um documentário sobre a tentativa de assassinato de Bolsonaro? “Não pode porque está perto da eleição”, disseram no TSE. Mas os ministros nem tinham assistido ainda.

Distrito Federal vai vender patrimônio para cobrir rombo do BRB

Para salvar o Banco Regional de Brasília, a Assembleia Distrital (o Legislativo do Distrito Federal), por 14 votos a 10 – todos os deputados estavam presentes –, aprovou uma lei que autoriza a venda de patrimônio do Distrito Federal para cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões. É um rombo até pequeno perto dos R$ 22 bilhões que o ministro André Mendonça bloqueou de Daniel Vorcaro, incluindo os R$ 2,2 bilhões que o banqueiro mandou para o pai. A lei autoriza a hipotecar, vender e tomar emprestado para salvar o banco. Agora, como é que vamos confiar em políticos, quando o governador vinha dizendo, dez dias atrás, que o banco estava muito saudável? O mesmo governador que convenceu os deputados, por esse mesmo placar de 14 a 10, a comprarem o Banco Master lá atrás.

PGR não viu nada de mais em ordens para “moer” secretária e “quebrar os dentes” de jornalista

André Mendonça prendeu aqueles que ameaçavam “moer” uma secretária de Vorcaro, por ordem do banqueiro, e quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Foram presos para salvaguardar as pessoas ameaçadas. Mas a Procuradoria-Geral da República disse que não era o caso de prender, que não abonaria o pedido de prisão. Em que mundo vive esse pessoal da PGR?

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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