Redes sociais precisam respeitar a Constituição do Brasil, que garante liberdade de expressão| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo
CARREGANDO :)

O presidente Jair Bolsonaro, antes de viajar para a Assembleia Geral da ONU em Nova York, mandou um projeto de lei ao Congresso Nacional que repete o texto daquela medida provisória, que arbitrariamente o presidente do Senado devolveu ao Planalto sem submeter o texto a votação.

O PL obriga empresas estrangeiras que têm plataformas de redes sociais no Brasil a se curvar diante da Constituição no que diz o artigo 220, que fala em liberdade de expressão e proibição à censura. O projeto diz que antes de bloquear alguém a empresa tem que justificar, tem que ter justa causa, mostrar os motivos e dar lugar à contestação, ao direito de defesa.

Publicidade

O projeto não alivia para crimes praticados na internet, como pedofilia, terrorismo, pregação do crime, tentativa de estelionato, calúnia, injúria, difamação, instigação à violência. Nada disso. O que está em jogo é a liberdade de opinião.

Fico pensando no que Bolsonaro vai dizer se for abordado na sede das Nações Unidas e perguntarem a ele: “como é que o Brasil tem presos um deputado federal, um presidente de partido político, um líder de caminhoneiros, um jornalista?”.

Isso é um ônus para o Brasil, ser comparado com Venezuela ou Cuba, que é um pessoal que, por natureza totalitária, adoram censura. Eles querem que todo mundo fale o que eles dizem que tem que falar. Isso é a origem desse politicamente correto, por exemplo. Você tem que pensar assim; se pensar diferente, você é incorreto. Eles não gostam muito de liberdade não.

Encontro bilateral

A agenda de Bolsonaro está cheia em Nova York. Nesta segunda-feira (20), ele teve um encontro com o chefe de governo do Reino Unido, Boris Johnson, e nesta terça-feira (21) haverá outro, agora com o presidente da Polônia, Andrzej Duda.

O presidente brasileiro fará ainda o tradicional discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU. É a 76ª reunião das Nações Unidas. Uma das mais famosas foi presidida pelo diplomata gaúcho Oswaldo Aranha, que presidiu a histórica sessão que aprovou a criação do Estado de Israel. Ele até hoje é um herói de Israel.

Publicidade

Agora é interessante a gente olhar o noticiário dizendo que o encontro entre Bolsonaro e Boris Johnson foi um encontro bilateral. Ué, se eram dois... Imagina se o encontro entre os dois fosse unilateral, multilateral ou trilateral. A gente se diverte com a falta de familiaridade com o significado das palavras.

Ainda o marco temporal 

O presidente da Funai fez uma exposição de duas horas no Ministério da Defesa para oficiais das três forças para falar sobre o chamado marco temporal para demarcação de terras indígenas. Mostrou a gravidade e a importância do que o Supremo Tribunal Federal está decidindo, que pode causar uma tragédia no Brasil dependendo do resultado.

Já houve no passado aquela tragédia econômica, alimentar (faltou arroz) e social (pôs índios e não índios na miséria) em Roraima com a decisão do Supremo de demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Só que agora as consequências podem ser infinitamente maiores.

A gente torce para não vencer a tese do relator, o ministro Edson Fachin, e vencer o contraponto do ministro Kassio Nunes Marques. O julgamento está agora suspenso por um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.

Enquanto isso, eu lembro que a Constituição, no artigo 231, diz que são dos índios as terras que eles tradicionalmente ocupam. Isso é tempo presente; não diz “ou vierem a ocupar”. Portanto é no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

Publicidade

Isso está reforçado no artigo 67, do ato das disposições constitucionais transitórias, que estabelece que essas terras serão demarcadas em cinco anos a partir da data da promulgação da Constituição. Portanto, confirma que é essa a data e não datas posteriores. Porque se for data posterior, a tragédia estará armada.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]