
A Polícia Federal fez uma nova operação para colher provas sobre o pagamento, da parte de Daniel Vorcaro, a influenciadores para que falassem mal do Banco Central ou defendessem o Banco Master na internet. Não que o BC fosse se impressionar com influenciadores, mas a ideia era fazer barulho e dizer aquela chorumela de que Vorcaro era um coitadinho, o Master era um banco pequeno que estava sendo oprimido pelos grandes bancos – Itaú, Santander, Safra, BTG – para evitar concorrência no mercado. Mas a concorrência dele era comprar pessoas, comprar autoridades. Fiquei sabendo, de conversas da prisão, que ele comprou muito mais gente do que nós já sabemos; a Polícia Federal talvez já saiba disso. Em um partido, especificamente, quase ninguém ficou de fora. É muita gente, e não sei se vão conseguir abafar tudo isso.
Vorcaro ainda quer blindar certas pessoas, por achar que assim ele vai preservar a família dele. Eu discordo; falei com alguns advogados, e eles acham que é um erro da parte dele. O melhor seria contar tudo o que a polícia não encontrar no celular – embora eu ache que pouca coisa deve ter ficado de fora dos celulares.
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Quem critica o Banco Central pelos juros não vê que o BC está protegendo o valor da moeda
Mas não é só para elogiar Vorcaro que as pessoas criticam o Banco Central. Vi o senador Cid Gomes falando mal do BC por causa dos juros. O Banco Central é o guardião da moeda, do valor da moeda circulante, que já não é mais algo físico, a cédula de real. A inflação se faz sentir, principalmente no feijão e no arroz, e para não desvalorizar o real é preciso controlar o crédito. A expansão do crédito pode significar expansão da inflação e desvalorização da moeda. Esse é o dilema do Banco Central: ter de elevar os juros para evitar o imposto mais injusto que existe, a inflação, que tira mais dos pobres. Quem tem dinheiro aplicado compensa a inflação na aplicação, mas o pobre não tem dinheiro para aplicar, e perde.
A Inglaterra não tem mais um “Defensor da Fé”
Segunda-feira passada, 6 de julho, foi o dia da decapitação, em 1535, de Thomas More, que virou santo por discordar do cisma que formou a Igreja Anglicana, em que o rei da Inglaterra é o chefe da igreja. Pois agora o rei Charles III aparece não mais como “chefe da Igreja Anglicana”, nem como “Defensor da Fé”; agora, ele é o “protetor da fé na nação multirreligiosa”. Já estão admitindo que a nação virou multirreligiosa, não é mais apenas cristã. Os críticos, na Inglaterra, dizem que ele esqueceu a Páscoa, mas se lembrou do Ramadã. Essa é a Europa que resistiu aos ataques otomanos, ao assédio ocorrido especialmente na Europa do leste: agora está caindo diante de uma infiltração em que o inimigo vem para dentro, para tomar o poder político, a cultura e a religião.
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Eu também já precisei pilotar avião no sufoco
Todo mundo já noticiou esse caso incrível do instrutor de voo em Córdoba, na Argentina, que estava com a aluna e resolveu saltar do avião durante o voo, dizendo a ela “você sabe o que tem de fazer”. Ele pulou, se estatelou lá embaixo, caiu numa fazenda, demoraram um ou dois dias para achar o corpo dele; ela conseguiu pousar. Estão investigando para saber qual foi o motivo. Aconteceu algo parecido comigo: estávamos só o piloto e eu, voando da Namíbia para Angola, e o piloto, que havia bebido demais, capotou; perguntou se eu sabia pilotar, e eu disse que só teoricamente – jornalista tem de conhecer tudo, eu já havia lido sobre aviões, voo e pilotagem, sabia por que o avião voa, como se pilota. Tive de assumir, e fiquei gostando. Puxei o nariz para cima, mudei o profundor um pouquinho, levantei a cauda, mexi no leme e acabei saindo da rota. Quando ele acordou, uns 50 minutos depois, verificou a nossa posição: estávamos em cima de mísseis cubanos! Mas sobrevivemos: ele picou e ficou espantando macaco em cima das árvores para sair do radar. Foi a única forma de não nos atacarem.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



