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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Ensino domiciliar

Perseguição às famílias que ensinam filhos em casa precisa acabar

homeschooling
Famílias que fazem homeschooling têm sido alvo de decisões judiciais que determinam multa e até prisão. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)

Começo hoje com o tema mais importante de um país: ensino e educação. Famílias que optaram por unir educação e ensino em casa estão sendo punidas, multadas e condenadas. É inacreditável isso; como se sabe, a educação se dá em casa, com a família; é a formação do caráter das novas gerações, os princípios, a ética, a moralidade, os valores, a cultura e os valores culturais. Na escola, aprendem-se as letras, as ciências, a história, a geografia e as artes. Mas os pais – e “pais” significa pai e mãe, já que hoje temos de explicar coisas óbvias que minha geração aprendia no segundo ano do primário – que decidem oferecer tudo isso em casa estão sendo perseguidos.

Depois que um casal em Jales foi condenado por educar e ensinar suas filhas em casa, agora um casal em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, está com uma multa de R$ 1,4 milhão e não resistiu: resolveu matricular as duas crianças, que estavam recebendo uma educação muito melhor em casa. A reportagem da Gazeta do Povo mostra que, em casa, elas estavam aprendendo Português, Matemática, Ciências, Educação Física, culinária, corte e costura, Inglês, música e canto coral. Isso começou na pandemia, quando as escolas fecharam – todo mundo sabia que as crianças estavam praticamente imunes àquele vírus, mas fecharam as escolas mesmo assim; esse é um país idiota, não é possível. Então, os pais passaram a lecionar em casa, pegaram os currículos e os livros de uma escola cristã para ensinar, com grande resultado. Agora, vão fazer o quê? Vão matricular na escola pública e continuarão ensinando em casa.

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Os filhos desse casal vão brilhar nos vestibulares e na vida, certamente. Conheço um outro casal, cujos filhos são educados e ensinados em casa. São crianças brilhantes, principalmente em relação à formação. Dizem que não há sociabilidade, mas há, sim: elas frequentam a igreja, frequentam o parquinho, a praça, convivem com outras crianças, vão a festas de aniversário. Integração não acontece apenas na escola, até porque em certas escolas há muita droga e muita violência.

Nos Estados Unidos, na França, na África do Sul, no México, na Austrália, em Portugal, no Reino Unido e no Canadá, o ensino domiciliar é absolutamente normal; só não é normal no Brasil. Existe um projeto de lei que já passou na Câmara dos Deputados e está no Senado agora; é preciso fazer com que ele seja aprovado também no Senado.

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STF rasga a lei e a Constituição, mas pede “serenidade” ao brasileiro irritado

O ministro Flávio Dino disse que uma funcionária de uma companhia aérea comentou com um policial que tinha vontade de xingá-lo e matá-lo. Ele recebeu essa informação não de segunda, mas de quarta ou quinta mão: o policial contou para o chefe dele, o chefe quis agradar e repassou para outro chefe, o chefe do chefe do chefe acabou levando o relato para o ministro Dino. O Supremo emitiu nota, dizendo que é preciso paz social e pedindo “serenidade” à população. Parece que estão pedindo serenidade a um rebanho de ovelhas quando o lobo aparece. As pessoas estão reagindo ao desrespeito à lei, à Constituição, ao Estado Democrático de Direito e ao devido processo legal. O Supremo pedir serenidade é como dizer “vocês estão indo para o matadouro, mas ninguém pode berrar”.

O Supremo precisa ter humildade, olhar para dentro e perceber que é uma das causas de toda essa perturbação no país. Só não é a maior porque a causa está nos três poderes, e também no poder do eleitor, pois a maior parte dos envolvidos foi colocada lá pelo eleitor, que transmitiu seu poder de cidadão para essa pessoa. Outros não receberam voto, mas receberam o aval e a aprovação do Senado para posições de autoridade – ministro do Supremo, por exemplo. E pensar que tanta gente, nos três poderes, ainda recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro...

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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