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Dona Romilda Rosa Ferreira, bolsonarista militante, ajudou a fretar um ônibus em São Lourenço, para quem queria aderir ao acampamento montado na frente do QG do Exército. O ônibus não lotou em São Lourenço e ainda teve lugar para gente chegada de Itamonte e gente que embarcou em Caxambu. Semana passada ela foi condenada a 14 anos por associação criminosa armada, tentativa de golpe de estado e abolição violenta do estado de direito. Ela já carrega, há tempos, tornozeleira de semi-prisioneira política. O Brasil, por ironia, tem tantas Romildas quantos presos políticos tem a Venezuela. Só que logo estarão livres, numa anistia geral que abrange os 26 anos de chavismo.
Se nossa crise fosse apenas política, com radicalismos, extremismos, fanatismos, vinganças e medo, tudo se resolveria por uma pacificação, como a que a Venezuela vai tentar a partir de agora. Mas a crise é mais grave e destruidora. Não é apenas de ignorância, de falta de conhecimento. Sim, é preocupante que um terço do ensino médico seja inferior a medíocre. “Quem vai cuidar de nós?”- perguntam-se os médicos de meia-idade. Não; não é apenas o ensino medíocre em quase todas as áreas, em que pessoas que tem a língua portuguesa como principal ferramenta, não sabem o significado das palavras, não sabem construir uma frase na lógica da língua. A crise é pior. É moral - ou ética, para usar um sinônimo. São os princípios, que deveriam ser inculcados na medula das novas gerações na casa da família. Mas como, se até as famílias estão diluídas?
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O Estadão de domingo mostra o “Compadrio Brasileiro” num artigo de Fernando Schüller, em que o banqueiro esperto, Vorcaro, contrata o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, por 1 milhão por mês; contrata o ex-ministro do Supremo, depois Ministro da Justiça, Lewandovski, por 5 milhões - ambos por indicação do líder do governo, Senador Jacques Wagner. O artigo mostra que a família de Moraes tem o inédito contrato de valor inédito: 129 milhões; que o Ministro Toffoli, que é relator do caso, é ligado ao Master via resort-cassino onde recebe banqueiros, ou a advogado de banco que lhe dá carona em jatinho, e seus irmãos vendem para advogado da JBS, da multa anulada. Mas o mais grave é pagar ônibus para manifestante ir a Brasília, ou escrever com batom em estátua de granito. Isso dá 14 anos de prisão.
O Supremo, o Presidente do Senado e o Presidente da República se juntam para que não haja consequências, como as que houve para Déboras e Romildas. Sigilo sobre provas, inércia sobre pedidos de impeachment, blindagens em CPIs. O editorial principal do Estadão dessa sexta afirma no título que estão “Fazendo o País de Bobo”. O pior de tudo é a naturalização pelos brasileiros dessas gravíssimas ofensas à ética, aos princípios e à própria Constituição. Considerar que um juiz do Supremo pode julgar um caso em que ele próprio está metido, como interessado, vítima, ou ligado por parentesco, é aceitar a falência da civilização no Brasil. Quem aceita a podridão como natural, é porque já apodreceu também.




