
Vejam só a tragédia do Supremo, que se tornou um tribunal político. Todas as suas manifestações são as de uma corte política. No entanto, os ministros não tiveram o voto da origem do poder, que legitimasse um poder político. O STF deveria ser um tribunal técnico; ao menos é o que está na Constituição. Mas Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes estavam imaginando um papel político para o Supremo e assumiram isso; assumiram até o poder – que eles não têm – de mudar a Constituição, de fazer leis, de impedir que o presidente da República fizesse nomeações para cargos de confiança, como foi o caso de Alexandre Ramagem na Polícia Federal. E os ministros estão pagando por isso agora, porque, ao se tornarem políticos, tornaram-se violáveis.
O ex-governador Romeu Zema vem falando nos “intocáveis de Brasília”. O Supremo era respeitado como tribunal; os juízes atravessavam uma ruela que passava entre o plenário e o prédio principal, e as pessoas cumprimentavam. Os ministros do STF frequentavam shoppings em Brasília e eram muitas vezes abordados para uma foto, ou muitas vezes não eram nem sequer reconhecidos. Hoje todos sabem quem são, e eles não podem sair para a rua. Estão pagando o preço da vulnerabilidade de ser políticos.
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O próprio ministro Alexandre de Moraes definiu isso uma vez: quem não quiser ser criticado, ser satirizado, ironizado, que não se meta na vida pública, disse ele. Pois os ministros resolveram assumir o papel político, e deu nisso: deixaram de ser respeitados, embora Zema esteja demonstrando que eles se consideram intocáveis. Ficou mal para o Supremo se tornar um tribunal político.
Abortismo de Jorge Messias o desqualifica para ser ministro do STF
Jorge Messias quer esse papel também, quer ser ministro do Supremo. Ele é o advogado-geral da União, foi advogado auxiliar de Dilma Rousseff. Ninguém nem sabia quem ele era, a ponto de todos terem entendido “Bessias” naquele telefonema em que Dilma avisava sobre um termo de posse para Lula virar ministro e escapar da Lava Jato em Curitiba. A Constituição exige notável saber jurídico, mas Messias nem notável é, quanto mais ter notável saber jurídico. Não é uma referência na academia, nos tribunais, em publicações, em defesas de teses; não é um grande nome do mundo jurídico brasileiro.
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Mas há outras coisas graves que o desqualificam, e um amigo meu que escreve no Estadão abordou esse aspecto: é o caso da assistolia fetal, a prática em que um bebê no útero da mãe é assassinado com uma injeção no coração. O Conselho Federal de Medicina proibiu terminantemente os médicos de cometerem esse assassinato, sob pena de perder o registro. Mas houve reação – sempre da esquerda ou da extrema esquerda –, o caso foi ao STF, pediram um parecer da AGU, e Messias respondeu que o CFM está errado, que pode matar, que não tem problema.
Isso é gravíssimo porque atenta contra o direito à vida, garantido no artigo 5.º da Constituição, cláusula pétrea, além de ser do direito natural. Se o feto não tiver cérebro, se a mãe puder morrer por causa da gestação, ou em caso de gravidez resultante de estupro, a lei não pune. Mas abortar simplesmente porque é a vontade de alguém que deseja se livrar da gravidez, isso é assassinato. Assim como também foi assassinato – e eu assisti a isso – quando se dizia na televisão que não havia tratamento para a Covid. Quantos milhares não morreram porque não quiseram lhes oferecer o tratamento? Não dá para esquecer disso.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



