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Tecnologia é a solução para o Brasil, não o juiz de garantias
| Foto: Michel Willian

Certa vez, encontrei em Tóquio um amigo chamado Osni Branco, que hoje mora em São Paulo. Ele é tão bom que lecionava arte para os japoneses. E o Osni me disse: “olha, aqui de Tóquio, tenho certeza de que Deus é brasileiro”. Eu perguntei: por quê? Ele respondeu: “aqui, do outro lado do mundo, a gente está longe do dia a dia do Brasil, mais isento, cabeça mais fria, e percebe que Deus põe as oportunidades na porta da frente e a gente joga fora na janela dos fundos. Deus põe de novo e a gente joga fora de novo, Deus insiste… e assim sucessivamente. Ele só pode ser brasileiro para apostar tanto no Brasil.”

Realmente, o Brasil é um país continente que tem riquezas imensuráveis no subsolo, sobre o solo, clima, sol, água, chuva, rios, litoral, floresta, tudo favorável. E não vai para frente. Por quê?

Um exemplo: vejam só o que gente jogou fora lá nos anos 1980, no finalzinho do governo militar. Inventaram a tal de reserva de mercado de informática para tentar provocar aqui, no Brasil, o surgimento de um Vale do Silício, expressão que nem era usada naquele tempo. Mas se queria uma produção digital e de informática própria. Acabou que o Brasil se fechou e ficou parado, porque a gente não tem base, conhecimento. Se fosse em Israel daria certo. Lá só tem areia, mas tem neurônio.

Enquanto isso, aqui a inflação cresceu logo depois, no governo Sarney. Também cresceu a burocracia, a elite estatal, gente com salários e aposentadorias ótimos, e cada vez trabalhando menos, porque cada vez mais gente ganhava mais dinheiro para fazer menos, inventando burocracia, carimba aqui e carimba ali, e a gente foi parando. Foram 35 anos de atraso.

Aí descobrimos o pré-sal... e também demoramos. Estamos perdendo a era do petróleo, o ambientalismo não quer mais saber de petróleo. Está aparecendo carro elétrico e aí a gente perde a oportunidade com nosso álcool. Nós temos território e clima para produzir cana e álcool, mas também perdemos essa oportunidade.

Enquanto isso, em vez de discutir tecnologia, estamos discutindo juiz de garantia. A gente não vai a lugar nenhum com juiz de garantia. A gente vai a algum lugar com tecnologia. Para um país desse tamanho, com essa quantidade de matéria-prima, metais preciosos e estratégicos para produzir novos materiais nesse planeta, a ciência e a tecnologia são a solução.

Celeiro do mundo, é verdade

Nós somos fornecedores de comida para o mundo, isso não resta dúvida, essa é uma grande vocação, uma vocação que nos enriquece. Somos mais de 5 milhões de produtores rurais, que produziram R$ 610 bilhões em 2019 e alimentaram 1,5 bilhão de seres humanos no planeta Terra.

Mas, cuidado, é bom ficar de olho! O Brasil é campeão em soja, açúcar, sucos, carne, mas já tem pessoal começando a produzir proteína de gafanhoto e outros insetos. Até fazendo hambúrguer com proteína vegetal. Hoje, por exemplo, descobri que o trevo tem 4,5% de proteína.

Então não dá para gente ficar discutindo juiz de garantia, reeleição, eleição de 2022… É uma maluquice! Estamos em 2020, iniciando o ano. Quem perde tempo também perde futuro. Imaginem que Austrália e Nova Zelândia foram colonizadas depois do Brasil. Os Estados Unidos na mesma época, e hoje são a maior potência do mundo. Não existe saída fora do conhecimento.

Enquanto isso, a gente não sabe interpretar o que lê, não sabe escrever 15 linhas, não sabe a diferença entre Física e Química. A gente ainda está em campanhas que detestam o carbono. Gente, se não tiver carbono, não tem vida, não tem como sem uma molécula de carbono, isso é química orgânica.

Não dá mais para gente continuar desse jeito. Temos que buscar no conhecimento, no ensino, o futuro desse país.

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