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Somos 158.745.463 eleitores aptos a votar dentro de dois meses e meio, informa o Tribunal Superior Eleitoral. Registro o número exato, porque cada voto é importante. O seu pode ser decisivo: pode ser o voto de desempate, acima do qual todos os demais são supérfluos – um raciocínio apenas teórico para convencer ao comparecimento à urna. E o voto de cada um desses milhões de eleitores tem o mesmo valor, não importa a diferença social, de renda, de importância, de cultura ou grau de formação; todo eleitor vale um. Não há vestibular de eleitor, para que a pessoa tenha o direito de escolher o seu representante. O registro de eleitor não exige conhecimento da Constituição nem do funcionamento do Estado. E o voto é obrigatório, mas facultativo para brasileiros de 16 e 17 anos e acima de 70. Os mais jovens parecem desmotivados; seu número caiu 14% desde a última eleição geral; na outra ponta, cresceu no mesmo porcentual o número de eleitores com mais de 60.
A falta de motivação dos jovens pode ocorrer por decepção com os políticos profissionais e seus partidos sem doutrina, sem ideias, sem futuro; políticos que não são estadistas, mas fisiológicos, que nem conhecem realmente as soluções para um país com potencial para estar entre os grandes do mundo, mas que é um grande desperdiçador de oportunidades. Políticos que pensam em resolver seus próprios problemas, e não os daqueles a quem deveriam servir. A principal característica de um político deveria ser o altruísmo, a dedicação ao bem comum, e não ao bem particular. Muitos mostram que em casa não receberam educação de cidadania, civilidade, ética, legalidade, compromisso, honestidade. São os que volta e meia estão no noticiário policial ou nas conversas de eleitores furiosos.
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Mas nada disso é motivo para não votar, ou para votar em branco ou anular o voto, em protesto. Não será maneira de mudar o futuro, nem inteligente. Nas eleições gerais de 2022, 32,76 milhões de eleitores não compareceram e 5,4 milhões votaram em branco ou anularam o voto. A diferença entre Lula e Jair Bolsonaro foi de pouco mais de 2 milhões de votos. Em quem votariam esses 38 milhões que deixaram os outros decidir? Aumentariam a diferença ou causariam outro resultado? Projetando para a próxima eleição esses 25,3% de eleitores alheios à decisão, seriam cerca de 40 milhões de brasileiros. Mais do que deixar para os outros, eles diminuem o tamanho da massa decisiva. Se todos escolhessem um candidato, o presidente vencedor precisaria do apoio de 80 milhões de eleitores. Mantendo-se o alheamento, bastariam 60 milhões de votos para passar de 50% no segundo turno. Ou seja, um presidente eleito com apenas 38% de eleitores inscritos. Significa minoria, e quatro anos de instabilidade.
Insatisfeito com os candidatos oferecidos pelos partidos? Escolha o menos pior, se for o caso. É melhor que deixar o pior ser eleito. Como? Informe-se bem sobre todos, sem fanatismo ideológico, nem candidato ex machina. Eleição não é questão de fé. Veja o passado e o presente de cada um. O que fez e o que tem feito pelo país. Procure observar o caráter do candidato nas suas relações, com quem anda. Quem é o menos honesto? O mais mentiroso? O mais falso? O mais experiente? O mais conhecedor do Brasil? E, em conceito bem utilitário: quem é o verdadeiro adversário? Quem é o mais capaz de vencê-lo nos debates? Quem teria capacidade de administrar o legado que vai receber? Antes de começar a campanha não se pode pedir voto. Pois eu peço que você vote; não deixe os outros decidirem sem você.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



