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Presidente Donald Trump discursou por 46 minutos, defendendo que as eleições presidenciais dos EUA foram fraudadas| Foto: Reprodução/Facebook

Conforme apontamos em artigo anterior, a maioria dos republicanos e – o que é ainda mais impressionante – quase 1/3 dos eleitores do Partido Democrata de Joe Biden acham provável que o resultado eleitoral tenha sido determinado por práticas ilícitas.

Mas o que vem convencendo tanta gente? Há basicamente dois grupos de razões: em primeiro lugar, os indícios probatórios que a equipe jurídica de Trump vem divulgando pela internet e em audiências públicas, particularmente mediante affidavits (declarações sob juramento) de testemunhas. Em segundo lugar, dados indicativos de fraude estão sendo levantados, apontando inconsistências entre o resultado apurado e algumas métricas de previsão. É sobre essas últimas que nos concentraremos neste texto.

Com efeito, prever o resultado das eleições americanas é tarefa altamente complexa. Não bastam as meras pesquisas nacionais de intenção de voto. A lógica do colégio eleitoral, elaborada para impedir populismos e formação de currais eleitorais, assim como o voto facultativo obrigaram os analistas a desenvolver alguns mecanismos mais sofisticados para estabelecer prognósticos.

Alguns desses instrumentos são as métricas que buscam avaliar o nível de engajamento detido pelo candidato durante as primárias (escolha de quem concorrerá pelo partido) e a campanha. Esses dados funcionam como um termômetro do potencial para tirar o eleitor de casa no dia da votação. Ademais, há a identificação dos chamados swing e battleground states, estados realmente em disputa. Há também o registro de Estados e, dentro deles, de condados que costumam acompanhar o vencedor nacional com grande regularidade. Estes últimos são chamados de bellwether counties (condados-guia).

Pois bem. Vejamos como essas métricas se comportaram na eleição presidencial deste ano. Aqui me utilizarei, basicamente, dos dados levantados por Patrick Basham, diretor do Democracy Institute, em artigo para o respeitado periódico conservador britânico The Spectator. O site americano The Federalist também publicou texto apontando algumas constatações. Os autores, basicamente, sumarizam alguns dos fatores que tonariam uma vitória de Joe Biden extremamente sui generis.

Eis alguns dados.

Em primeiro lugar, Trump e o Partido Republicano de modo geral apresentaram um desempenho muito bom nas eleições. O atual presidente contava no período da votação com níveis de aprovação de 51% e subindo (patamar superior, por exemplo, ao de Barack Obama quando foi reeleito). Ele recebeu 11 milhões de votos a mais do que em 2016. Foi a terceira maior expansão percentual de votos de um presidente em sua campanha para reeleição em comparação com o primeiro pleito que o elegeu. Isso fez com que Trump tenha recebido mais votos do que qualquer Presidente concorrendo à reeleição e que qualquer candidato de eleições passadas. Mais: Trump recebeu um percentual maior de votos de minorias do que qualquer candidato Republicano desde 1960. Seu apoio entre negros e hispânicos registrou grande incremento. Esse aumento, principalmente entre hispânicos, tornava a vida de Biden muito difícil em estados como Nevada e Arizona.

Já no tocante ao desempenho do Partido Republicano, ele manteve todos os estados que governava e ainda levou mais um. Conquistou também a maior parte das assembleias legislativas dos estados. Não só: o partido já tem metade dos Senadores e deve levar, pelo menos, mais um na Geórgia, onde em primeiro turno um dos candidatos republicanos conseguiu 49,7% dos votos. O partido ainda recuperou 27 cadeiras na Câmara dos Deputados (House of Representatives), inclusive algumas delas na Califórnia, um dos Estados mais esquerdistas dos Estados Unidos. Historicamente, presidentes desafiantes (ou seja, que não concorrem à reeleição) tendem a puxar resultados positivos no parlamento e nos Estados da federação. Nada disso aconteceu com Biden. Segundo informações do articulista Randy DeSoto, Trump seria o primeiro presidente da história a perder uma reeleição enquanto seu partido amplia o número de cadeiras na House of Representatives.

Mais alguns pontos sobre Trump. Seu engajamento durante as primárias foi extraordinário. Ele recebeu 94% dos votos nas primárias do Partido Republicano. É o quarto maior nível da história do país. Mais do que Nixon, Clinton ou Obama, todos presidentes que alcançaram a reeleição. Um dado importante: nenhum Presidente que tenha recebido mais de 75% dos votos nas primárias perdeu a reeleição. Trump recebeu mais de 18 milhões de votos nas primárias. Um recorde absoluto. Para ter ideia, o candidato que havia recebido mais votos antes dele havia sido Bill Clinton, com 9.7 milhões. Ainda, desde 2004, o presidente com maior procura na internet vence o pleito. O nome de Trump era três vezes mais pesquisado do que o de Biden.

Mas tem mais. Trump venceu na Flórida e em Ohio, onde ampliou sua margem em comparação com 2016. Também levou Iowa. Desde 1852, com exceção da eleição de 1960 (onde houve suspeitas de fraude também), todos os candidatos que venceram nesses três estados ganharam a corrida presidencial.

Agora, um outro dado muito importante: segundo Patrick Basham, os estados do meio-oeste de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, nos quais Biden foi projetado como vencedor e onde estão as mais fortes suspeitas de fraude, costumam oscilar na mesma direção de Ohio e Iowa, seus pares regionais. Ocorre que as contagens atuais mostram que, fora de algumas cidades específicas, os Estados, de fato, foram na direção de Trump. Ainda assim, Biden lidera por causa de uma aparente avalanche de votos em Detroit, Filadélfia e Milwaukee, grandes centros urbanos desses estados, onde houve inúmeras denúncias e cujos condados sofrem forte influência política do partido de Biden. É curioso. A margem de "vitória" de Biden teria sido derivada quase inteiramente dos eleitores nessas cidades. Seu voto disparou apenas e exatamente nos locais necessários para garantir a vitória. Ele não recebeu níveis comparáveis de apoio entre grupos demográficos semelhantes de estados comparáveis, o que é altamente incomum para o vencedor presidencial.

Mais, as chamadas métricas que não decorrem de pesquisas de intenção de voto, como tendências de registros de partidos; os já mencionados votos dos candidatos nas primárias; entusiasmo com o candidato; seguidores de mídia social; classificações de transmissão e mídia digital; as também já citadas pesquisas online; o número de doadores (especialmente pequenos); e o número de pessoas que apostam em cada candidato, apontavam vitória de Donald Trump. Como concluiu Basham: “para que Trump perdesse, não apenas uma ou mais dessas métricas tinham que estar erradas pela primeira vez, mas cada uma delas tinha que estar errada, e ao mesmo tempo”.

Quanto a Joe Biden, apesar de os resultados o apontarem como o candidato mais votado da história, venceu em apenas 524 condados, enquanto Obama (supostamente com menos votos) venceu 873 em 2008.

Não só. Como mencionados, há condados cuja vitória tem particular força para prever o resultado. Quando o candidato ganha nesses locais, ele tem grandes chances de vencer a eleição nacional. São os bellwether counties. Como Biden se saiu neles? O jornal The Wall Street Journal e a revista conservadora Epoch Times analisaram o desempenho dos candidatos nesses condados. De 19 condados que tiveram registros de votação presidencial quase perfeitos nos últimos 40 anos, o presidente Trump conquistou 18, perdendo apenas em 1, o de Clallam, em Washington. E enquanto Biden ganhou Clallam por cerca de três pontos, a margem de vitória do presidente Trump nos outros 18 condados foi em média acima de 16 pontos. Em uma lista maior, de 58 “condados-guia” que escolheram corretamente o presidente desde 2000, Trump ganhou 51 deles por uma média de 15 pontos, ao passo que os outros sete foram para Biden por cerca de quatro pontos.

É curioso que possa ter ocorrido de um candidato medíocre nas primárias, medíocre na campanha, de um partido com resultados medíocres, e que foi medíocre de modo geral, foi extraordinariamente bem em alguns lugares específicos, incluindo exatamente aqueles em que ele precisava vencer.

Alguns comportamentos estatisticamente inusuais também foram registrados durante as apurações dos votos.

Conforme matéria do periódico conservador The American Spectator – cujos fatos também repercutiram no Real Clear Politics –, em audiência pública realizada na Pensilvânia, um dos estados em que a eleição foi mais problemática, o ex-militar com formação em análise de dados e guerra eletrônica Phil Waldren apontou o que ele chamou de picos anormais de votos, que segundo ele são indicativos de fraude eleitoral. Ele os descreveu como “eventos em que um montante de votos é processado em um período de tempo não factível ou mecanicamente inviável em condições normais”. Ele descreveu um desses eventos durante a apuração de votos na Pensilvânia. Segundo suas informações, em cerca de 90 minutos pouco menos de 600 mil votos foram processados. Porém, o que é mais incrível: dos 600, cerca de 570 mil foram para Joe Biden e apenas 3.200 para Donald Trump. Frise-se que a diferença final entre os dois candidatos dentro do Estado foi somente de cerca de 70 mil votos.

Segundo a matéria, eventos semelhantes, ainda que não com a mesma intensidade, ocorreram ao menos no Michigan, Wisconsin e Georgia. Alguns estudos estatísticos têm sido elaborados acerca da apuração de votos nesses estados. Eles demonstram que quatro “picos anormais de votos” (Michigan às 3h50 e às 6h31 a.m; Geórgia à 1h31 a.m; e Wisconsin às 3h42 a.m), os quais sozinhos foram decisivos para liderança de Biden nesses estados, são absolutamente anormais em comparação com as demais 8.954 atualizações de votos analisadas nos 50 estados. Fato curioso: esses picos anormais de votos foram todos pró-Biden e exatamente onde era necessário para sua vitória no Estado, assegurando um desempenho excepcional nesses poucos condados que registraram esses movimentos incomuns, embora como vimos o candidato Democrata tenha tido um desempenho medíocre e vencido menos condados do que Obama. Saliente-se que sem esses fenômenos Trump levaria esses estados e já estaria reeleito.

Esses dados não provam por si só as fraudes. Os autores reconhecem isso. Todavia, exigem um maior escrutínio e uma séria apuração, tanto legal quanto da opinião pública. Frise-se que é um fato óbvio que nem tudo o que ocorre no mundo é depois comprovado judicialmente com sucesso. Se fosse assim, inexistiria impunidade. Por isso, não bastam os resultados judiciais das ações movidas contras as possíveis fraudes nos Estados Unidos. A opinião pública de modo geral tem responsabilidade em levantar os dados estranhos, apurar possíveis respostas e elaborar propostas que possam ampliar a integridade eleitoral e o nível de confiança no processo.

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