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Anne Dias

Anne Dias

Ódio e coitadismo

A Fábrica de Vítimas do PT: desmascarando Ana Elisa

Ana Elisa transformou o ódio em combustível político e o vitimismo em escudo. Uma geração ensinada a se vitimizar já nasce derrotada. (Foto: Andre Borges/EFE)

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A repórter, uma mulher negra, parecia não conseguir esconder o orgulho diante da jovem que entrevistava. Aos 21 anos, Ana Elisa tinha acabado de conquistar mais de meio milhão de votos e se tornar a segunda deputada federal mais votada de Minas Gerais.

Então veio a pergunta sobre um sonho: ela imaginava, um dia, ser presidente do Brasil?

Uma jovem da periferia, filha de mãe solo e que tinha acabado de fazer história nas urnas, tinha todos os motivos para receber a pergunta com entusiasmo e sonhar com o cargo mais alto do país.

Mas ela não queria falar sobre sonhos: "Eu fico imaginando o que fariam com uma mulher negra no Brasil se eu realmente me colocasse candidata à Presidência da República. Eu não sei se esse país, com essa origem, com essa carga escravocrata, elegeria uma mulher retinta", respondeu.

Por que responder a uma pergunta tão gentil com ódio na ponta da língua?

Porque essa postura é a essência do método que trouxe Ana até aqui.

Essa cena é o cartão de visitas de uma estratégia calculada para as redes sociais. Scott Adams, um dos maiores estudiosos de persuasão e comunicação de massas, explica que grandes campanhas não se vencem com a razão, mas com a criação de molduras emocionais.

Adams chama isso de "Enquadramento Preventivo": atribuir um rótulo moral ou emocional ao adversário para neutralizar suas críticas. Além disso, ele identifica o que chama de "Linguagem Visual e Repetitiva", que é o bombardeio da mesma mensagem até que ela seja aceita como verdade absoluta.

Foi assim que Ana Elisa construiu seu império digital. Aprendeu a embalar o ódio em vídeos curtos, com cortes perfeitos para o algoritmo. Em cada publicação, um enquadramento: quem a critica não está questionando suas ideias, mas atacando uma jovem negra e periférica.

Com a repetição diária de agressão e vitimização, treinou seu público para reagir à altura. Transformou o ódio no motor que a tirou do anonimato e a levou à Câmara dos Deputados

Observe a sequência: Ana Elisa afirmou dar nota 7 ao governo Lula porque "ainda não fechou as igrejas". Cravou que "Se você não gosta de carnaval, você é estruturalmente racista". Debochou: "Vcs não entendem o tanto que é gratificante zoar um branco por ele ser branco dps de tantos anos de opressão". E chegou a desejar que "a justiça divina podia tanto mandar um elemento natural naqueles bolsonaristas igual foi na época dos egípcios".

E, ao ser cobrada por essas atitudes, Ana Elisa recorre ao mesmo enquadramento preventivo. Inverte o jogo: acusa os opositores de racismo ou machismo. Se precisa defender Lula, atribui as críticas ao etarismo: o preconceito por ser idoso.

Ao transferir a culpa para a "estrutura", rebaixa a si mesma à condição de incapaz.

Quando juntamos essas peças, percebemos que o que parecem frases soltas de uma jovem impulsiva revela a velha lógica marxista de dividir o mundo entre opressores e oprimidos.

A esquerda contemporânea levou essa divisão para todas as relações humanas: homem contra mulher, hétero contra gay, rico contra pobre, branco contra negro, jovem contra idoso, magro contra gordo… A lista é longa, mas o resultado é sempre o mesmo: a anulação da responsabilidade individual.

É aqui que a filósofa Ayn Rand desmascara a fraude: o sofrimento não é uma virtude, e ter enfrentado dificuldades não torna ninguém moralmente superior. O vitimismo transforma as próprias feridas em escudo contra cobranças e em licença para atacar os outros.

O mais cruel dessa mentalidade é que ela aprisiona quem acredita estar se libertando. Pense na lógica: se tudo o que acontece na sua vida é explicado pela cor da sua pele, pelo seu gênero ou pelas injustiças do passado, qual é o espaço que sobra para suas próprias escolhas?

É o paradoxo do vitimismo: na tentativa de denunciar o poder que os outros exercem sobre sua vida, você acaba concedendo a eles um poder ainda maior.

No fundo, sinto profunda pena de Ana Elisa. É triste ver uma jovem de 21 anos, que conseguiu mobilizar meio milhão de eleitores, olhar para o próprio futuro e enxergar apenas muros, medo e desculpas. Ela foi moldada para se apequenar e odiar.

E, por mais que eu lamente, a grande questão é que as consequências não terminam nela.

O problema começa quando essa visão deixa de ser uma escolha individual e passa a ser transmitida a milhares de jovens como se fosse uma virtude.

O vitimismo que Ana Elisa dissemina age como um câncer em metástase: espalha-se pelas redes sociais, infiltra-se no debate e alcança as próximas gerações, corroendo o que o jovem mais precisa para construir o futuro: a confiança na sua capacidade de mudar a própria vida.

No lugar da ambição, o medo. No lugar da responsabilidade, culpados. E, no lugar da coragem para enfrentar dificuldades, o coitadismo.

Qualquer pessoa tem o direito de se sentir vítima, mas ninguém tem o direito de infectar a juventude com uma visão de mundo tão medíocre.

Uma geração ensinada a se vitimizar já nasce derrotada.

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