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Sábado de manhã, primeiro dia de carnaval, minha mãe me acorda berrando na porta de casa, às 8h30, dizendo que tinha um cachorro na frente do meu prédio todo ensanguentado. Nem deu tempo de nada. Levantei correndo, coloquei a primeira roupa que vi na frente. Não escovei os dentes, não lavei meu rosto, nem coloquei as lentes de contato. Desci as escadas correndo para ver o que tinha acontecido. Cheguei na portão e no canto, do lado de fora, estava o cachorrinho: mal se mexia e à sua volta, muito sangue. Não consegui ver direito onde era o machucado. Só que o sangue vinha de baixo e que tinha um furo enorme na cabeça. Imaginei que fosse atropelamento. Não podia deixar ele ali, sangrando em pleno asfalto quente.

Peguei uma colcha velha em casa, joguei no banco de trás do meu carro e uma vizinha ajudou a erguer o cão – com cuidado porque não sabíamos onde ele estava ferido. Ele ficou quietinho. Acho que a dor era tanta, que nem conseguia se mexer. Fomos direto à Sociedade Protetora dos Animais. Pensei em levar em uma clínica, mas eu não tinha dinheiro suficiente e sabia que na Sociedade eles atendem animais em estado grave.

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Como eu moro no Portão e a ong é no Santa Cândida, foi um longo caminho. A vizinha que foi comigo ficava o tempo todo olhando para o banco de trás, para garantir que o cão estava bem. Chegamos lá e fomos atendidos na hora. A veterinária examinou e disse que não foi atropelamento, mas provavelmente ataque de outros cães. Ele estava com vários furos pelo corpo e com a pele da região genital inteira em carne viva. Ela colocou soro, tirou os pelos de algumas partes para fazer curativo. Explicou que ele entraria em cirurgia. Faria castração para tirar aquela parte sem pele, porque não tinha outro jeito.

Enquanto estávamos lá, outros animais chegaram. Todos foram muito bem atendidos, tratados com cuidado e atenção. Quem conhece o lugar sabe que é bicho para todos os cantos. Gato com curativo dormindo na gaiola, cão sem perna deitado embaixo da mesa, filhotes magrinhos amontoados em um canto. Em cinco minutos lá dentro, vários cachorros grudaram na minha perna loucos por um pouco de carinho. Por isso, toda vez que vou lá saio com o coração apertado, mas ao mesmo tempo sinto um alívio por saber que existem voluntários como os da Sociedade, que fazem com amor e paciência um trabalho pesado que é atender tanto animal doente em condições precárias.

Fomos embora e prometemos voltar na manhã de domingo, para saber se o cachorrinho estava melhor. Aproveitaríamos para levar ração para ajudar. A veterinária explicou que existia chance de ele não aguentar, porque perdeu muito sangue. No dia seguinte, lá estávamos nós: eu e a vizinha, que no caminho me disse que queria chamá-lo de Bob. Ela não sabia, mas minha intenção era convencê-la a adotá-lo, porque tinha me contado que estava pensando em ter um cachorro. Mas, chegando lá, a má notícia: Bob não resistiu. Passou bem pela operação, mas não aguentou e morreu durante a madrugada. Ficamos chateadas, mas sabíamos que nós e a Sociedade fizemos a nossa parte, tudo que estava ao nosso alcance.

A Sociedade Protetora dos Animais socorre gratuitamente os animais de rua atropelados ou feridos. Ela só não recebe mais animais sadios porque está superlotada, mas não deixa na mão nenhum cão ou gato em estado grave. Para quem tem animal, eles fazem atendimento clínico – inclusive vacinas – a preços mais em conta que nas clínicas particulares. O dinheiro é revertido para tratar dos animais que moram por lá. Quem quiser ajudar, também pode contribuir com ração, jornal ou papelão velhos, sabão em pó para lavar o lugar e medicamentos. Mas se não tiver nada disso, também pode dar uma passadinha por lá para agradar os bichinhos. Eles agradecem.

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Serviço:
Sociedade Protetora dos Animais. Rua Professor Sandária Monzon, 113, Santa Cândida. Contato pelo 3256-8211 ou www.spacuritiba.org.br