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Sergio Moro. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Sergio Moro. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.| Foto:
Sergio Moro. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

Sergio Moro. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

A operação para investigar Lula foi um ponto de virada na Lava Jato. Há pelo menos dois motivos para isso: primeiro, porque os procuradores e Sergio Moro tomaram decisões ousadas que levantaram contra eles parte da opinião pública; segundo, porque agora a força-tarefa parece estar na obrigação de conseguir algum resultado na contra o ex-presidente, sob pena de parecer que fez muito barulho por nada.

A decisão de divulgar os áudios de Lula foi a que trouxe mais prejuízo para a moral de Moro. O juiz vinha tendo apoio praticamente incondicional da imprensa. Depois disso, um editorial da Folha de S.Paulo criticou-o duramente e colunistas como Elio Gaspari disseram que ele tinha passado do limite. Juristas que também apoiam a operação questionaram Moro, inclusive ministros do STF.

As críticas não foram unânimes, claro: muita gente diz que Moro estava certo (A própria Gazeta do Povo, em editorial, defendeu a atitude do juiz.) Mas a perda de capital “político” é grave para Moro, que sempre tentou manter a opinião pública a seu lado como forma de evitar, inclusive, que suas decisões fossem reformadas em instâncias superiores. Até aqui, vinha conseguindo isso, até por ter decisões sólidas. Com esse passo, pode ter se prejudicado.

Mais do que isso: o vazamento do áudio da conversa de Lula com Dilma mostrou o juiz divulgando algo de uma escuta que já tinha sido encerrada e que foi questionada por envolver a presidente da República. No fundo, pode ter sido ponto decisivo para que ocaso seguisse para o Supremo Tribunal Federal, minando os poderes da Lava Jato sobre o ex-presidente.

Mas o ponto principal talvez seja outro. Os indícios contra Lula existem. A história do sítio é muito estranha. O triplex tem duas investigações. E principalmente os R$ 30 milhões em doações de empreiteiras ao Instituto Lula (somados às palestras) precisam ser explicados. Mas após 30 dias de escuta, uma condução coercitiva, além de dois outros depoimentos, uma força-tarefa toda trabalhando nisso, a PF não indiciou o ex-presidente, nem o MP denunciou-o.

Agora, diz-se que o MP exige que Marcelo Odebrecht diga mais sobre Lula caso queira diminuir sobre a pena. Corre-se também o risco de parecer obsessão. Uma verdadeira sinuca de bico.

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