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Carlos Alberto Di Franco

Carlos Alberto Di Franco

Eleições

Menos interesses, mais Brasil

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Segundo turno das eleições em Brasília. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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Encerrada a eleição presidencial, o Brasil precisa reencontrar o Brasil. As urnas definiram quem governará. Não deram a ninguém a propriedade do país, nem autorizaram a perpetuação dos palanques. A vitória impõe responsabilidades. A derrota exige maturidade. Acima das duas está uma nação que precisa trabalhar, crescer e oferecer um horizonte aos seus filhos.

É hora de baixar a voz e elevar a qualidade da política. O cidadão não pode continuar refém de uma disputa que invade a vida cotidiana, rompe amizades e transforma divergências em hostilidade. O adversário não é um inimigo a ser eliminado. É um brasileiro com quem será necessário conviver e construir soluções.

O país não carece de recursos naturais, inteligência ou capacidade empreendedora. Carece de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. Carece de homens e mulheres capazes de subordinar suas conveniências ao interesse nacional. Há muita gente pensando na próxima eleição. Precisamos de gente pensando na próxima geração.

O adversário não é um inimigo a ser eliminado. É um brasileiro com quem será necessário conviver e construir soluções

A pergunta decisiva já não é quem venceu. É o que faremos com o mandato recebido e com a responsabilidade que cabe a cada um. Que Brasil queremos entregar aos jovens? Um país prisioneiro de ressentimentos ou uma sociedade que transforme suas possibilidades em oportunidades reais? A resposta virá das decisões.

O cenário mundial evidenciou o valor estratégico dos alimentos, da energia e dos minerais. O Brasil tem condições para participar desse movimento. Temos água, terras, fontes de energia, empresas, agricultura produtiva e um povo trabalhador. Mas riqueza potencial não põe comida na mesa. Precisa transformar-se em investimento, produtividade e trabalho.

Enquanto discutimos pessoas, grupos e facções, projetos se arrastam, obras encarecem e oportunidades desaparecem. A burocracia sufoca quem empreende. A insegurança jurídica afasta investimentos. A instabilidade das regras pune quem planeja. O preço dessa paralisia não é pago apenas pelas empresas. É pago, sobretudo, por quem espera um emprego e por quem depende de serviços públicos precários.

Destravar o desenvolvimento deve ser prioridade nacional. Integrar o território, modernizar portos e ferrovias, melhorar a educação e estimular a inovação são tarefas que exigem continuidade. Um projeto necessário não pode ser abandonado porque nasceu em outro governo. O dinheiro público não pertence ao governante da vez. Pertence ao contribuinte, que merece respeito.

Preservação ambiental e desenvolvimento não são coisas contraditórias. Exigem decisões responsáveis, apoiadas na ciência, na proteção das comunidades e em regras claras. Mas a defesa do ambiente tampouco pode servir de justificativa para condenar populações inteiras à pobreza. O Brasil precisa recuperar seu território. Não pode admitir que organizações não governamentais, atreladas a interesses externos, decidam o nosso futuro. Governar exige conciliar direitos, avaliar consequências e decidir.

Também é preciso desfazer uma confusão persistente: desenvolvimento não se fabrica com descontrole fiscal, favores a grupos influentes ou promessas sem financiamento. O Estado precisa gastar melhor, combater desperdícios e priorizar o que muda a vida das pessoas. Inflação, dívida e improvisação cobram sua conta. Os mais pobres costumam pagá-la primeiro.

Combater a corrupção faz parte desse compromisso. Não há corrupção aceitável quando beneficia os nossos e intolerável quando favorece os outros. O dinheiro desviado falta na escola, no hospital e na segurança. A honestidade não pode ser uma bandeira recolhida depois da posse. Precisa orientar a administração e a conduta dos poderes.

Um projeto necessário não pode ser abandonado porque nasceu em outro governo. O dinheiro público não pertence ao governante da vez. Pertence ao contribuinte

Ao presidente eleito cabe uma obrigação especial: governar para o conjunto da sociedade. Ouvir além do próprio círculo, escolher pessoas competentes e aceitar a fiscalização são sinais de grandeza. À oposição cabe exercer o controle com firmeza, apresentar alternativas e apoiar o que servir ao país. O fracasso do governo não pode ser desejado quando significa o sofrimento dos brasileiros.

Ao Congresso, ao Judiciário, aos empresários, aos sindicatos e à imprensa cabe rever prioridades. Toda instituição deve prestar contas. Nenhum setor pode exigir sacrifícios coletivos enquanto protege seus privilégios. A reconstrução da confiança começa quando o discurso encontra correspondência no comportamento.

Pacificar exige verdade, respeito à lei e disposição para o diálogo. Exige abandonar a exploração permanente do medo e da raiva. Não significa renunciar a convicções ou suspender a crítica. Significa compreender que a divergência democrática precisa produzir caminhos, e não um estado interminável de guerra.

O Brasil é maior do que qualquer biografia, partido ou projeto de poder. Não pode continuar sendo tratado como instrumento de ambições particulares. A eleição terminou. A responsabilidade permanece. Que os vencedores tenham grandeza, que os derrotados tenham espírito público e que todos saibamos cobrar resultados. Menos vaidade, menos revanche, menos interesses pessoais. Mais trabalho, mais responsabilidade, mais Brasil.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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