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Causas que Transformam

Causas que Transformam

INOVAÇÃO EM FOCO

Tecnologia 3D e autonomia: a rede que devolve movimentos e futuro

Duas pessoas dando a mão, um adulto e uma criança, sendo a criança com um braço tecnologico
Reprodução: Associação Refúgio (Foto: )

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No Brasil, o diagnóstico de uma deficiência congênita ou amputação infantil costuma ser acompanhado por um abismo estrutural: ausência de protocolos oficiais de atendimento, carência de diretrizes clínicas e barreiras de acesso no Sistema Único de Saúde (SUS), que não disponibiliza modelos adequados com articulação e funcionalidade de dedos para crianças em fase de crescimento. Sem intervenção adequada, a falta de estímulo muscular precoce acarreta atrofias e limita severamente o desenvolvimento psicossocial de quem precisa de suporte para brincar, estudar e viver plenamente. Romper essa inércia demanda inovação, rigor técnico e mobilização cívica. 

É exatamente para ocupar essa lacuna que atua a Associação Dar a Mão. Sediada em São João do Ivaí (PR), a entidade consolidou-se como a única organização oficial do país dedicada à agenesia de membros, estruturando uma tecnologia social que une engenharia assistiva, acompanhamento integral e reabilitação contínua. 

Do desafio pessoal à vanguarda: a trajetória de Dara e Geane Poteriko 

A transformação que hoje alcança milhares de lares começou no enfrentamento direto da adversidade. Ao vivenciar o nascimento da filha Dara com agenesia de membro decorrente da Síndrome da Brida Amniótica (condição congênita com prevalência estimada em 1 a cada 1.200 nascimentos), a fundadora Geane Poteriko deparou-se com o desamparo informativo e institucional. O cenário desafiador acentuou-se com um grave acidente sofrido por Geane nove meses depois, que a tornou uma pessoa com deficiência física e demandou dezenas de intervenções cirúrgicas. 

Em vez do recuo, a dor transformou-se em liderança estratégica. Ainda na maternidade, Geane conectou-se à rede global de manufatura voluntária e-Nable e, em setembro de 2015, formalizou a fundação Dar a Mão. Dara tornou-se a criança mais jovem do Brasil a utilizar um dispositivo protético impresso em 3D, aos 3 anos de idade. Para qualificar tecnicamente o acolhimento oferecido na instituição, Geane graduou-se em fisioterapia, unindo vivência prática, reabilitação profissional e ativismo social para estruturar um laboratório com 33 impressoras 3D dedicadas à autonomia funcional. 

Evidências científicas e o papel da tecnologia assistiva 

A eficiência do modelo protético em 3D sustenta-se em parcerias acadêmicas consolidadas, como a cooperação técnica contínua com o Núcleo POTA (Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), sob coordenação da pesquisadora e doutora Lúcia Miyake, além do Instituto Federal do Paraná (IFPR - Campus Ivaiporã): 

  • Superação do gargalo público: Segundo levantamentos do setor, no Paraná, 21% da população possui alguma deficiência física, sendo que 65,9% desse grupo sobrevive com renda nominal de até dois salários mínimos; paralelamente, dados da Associação de Ortopedia Técnica (AOTEC) revelam que o sistema público atende a menos de 0,3% das demandas por próteses convencionais.
  • Redução das taxas de abandono: A carência de adaptações ergonômicas e acompanhamento contínuo faz com que o abandono de próteses no país chegue a 70%; na Associação Dar a Mão, o dispositivo é integrado a um protocolo multidisciplinar de reabilitação, garantindo trocas periódicas para acompanhar o crescimento infantil.
  • Impacto e escala comprovados: A rede de acolhimento já assiste mais de 5.000 famílias associadas em todo o Brasil e em outros 12 países, viabilizou a entrega gratuita de mais de 1.200 dispositivos protéticos 3D e mobiliza mais de 150 voluntários ativos.
  • Reconhecimentos institucionais: A metodologia foi laureada no Projeto Legado (2018), recebeu o Selo SESI ODS (2017) pelo alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, foi eleita Melhor Projeto Internacional pela Fundação Telefônica (2018) e destacou-se pela atuação ágil com a rede E-Nable e Sebrae.

Como atuar como um investidor social desta transformação 

Por manter todas as próteses e atendimentos de forma 100% gratuita, a sustentabilidade da Associação Dar a Mão depende diretamente de aportes de pessoas físicas e parcerias com o setor corporativo: 

  • Custeio e Manutenção Operacional: Doações diretas garantem a manutenção contínua das impressoras 3D, a aquisição de filamentos (PLA) e a operação do laboratório.
  • Doação de Insumos e Equipamentos: Destinação de filamentos industriais para impressão 3D, peças de reposição e novas impressoras para expansão da capacidade produtiva.
  • Voluntariado Técnico Especializado: Médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, designers e engenheiros podem atuar na reabilitação e no fortalecimento das Bases de Extensão Local (BELs).
  • Parcerias Estratégicas e Selo Dar a Mão: Empresas podem apoiar a iniciativa e obter a chancela do Selo Dar a Mão, agregando valor e governança ESG às suas marcas.
  • Produtos Solidários e Divulgação: Aquisição do livro "Joia Rara - Agenesia de Membros" e das camisetas institucionais, além da difusão de campanhas de combate ao capacitismo e ao bullying em escolas e empresas.

Acompanhe o trabalho da Associação Dar a Mão nas redes sociais:   

Site: https://daramao.org/ 
Instagram: https://www.instagram.com/daramao_/ 
Facebook: https://www.facebook.com/associacaodaramao/ 
Youtube: https://www.youtube.com/@AssociacaoDaraMao 

A Associação Dar a Mão é uma organização cadastrada no Programa Impulso, iniciativa do Instituto GRPCOM que oferece apoio gratuito às Organizações da Sociedade Civil (OSC) do Terceiro Setor, com foco no aprimoramento da gestão e da comunicação — áreas essenciais para que as instituições ampliem seu alcance e sustentabilidade. Saiba mais e faça parte: programaimpulso.org.br.

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