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Auxílio emergencial coloca Bolsonaro e Lula no mesmo palanque
| Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert (lula.com.br)/Alan Santos (Presidência da República)

A movimentação do governo para definir um valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil – programa social que substituirá o Bolsa Família – provocou um terremoto no mercado financeiro na última terça-feira (19), com queda brusca da bolsa de valores e alta do dólar. O tema, em que pese irritar setores empresariais e investidores, coloca do mesmo lado hoje os dois nomes de maior peso na disputa presidencial de 2022: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante evento em Russas (CE), na quarta-feira (20), Bolsonaro defendeu o valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil. O presidente rebateu críticos e disse que não vai furar o teto de gastos com a proposta, mas não explicou como será feito. "Ontem nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração ao antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxílio Brasil, de R$ 400", afirmou.

Bolsonaro e Lula - Bolsa Família
Post de Lula, na quarta-feira (20), em defesa do auxílio.

Líder com folga nas pesquisas de intenção de voto, Lula vai mais longe que Bolsonaro. Também na quarta-feira (20), o ex-presidente defendeu que todos os brasileiros deveriam receber um auxílio de R$ 600. “Faz mais de cinco meses que o PT pediu um auxílio emergencial de R$ 600, aliás, o PT pediu e mandou uma proposta para a Câmara dos Deputados de um novo bolsa família de R$ 600”, disse Lula em entrevista à rádio A Tarde, de Salvador (BA).

O ex-presidente disse ainda não estar preocupado com a possibilidade de Bolsonaro ganhar votos com aumento do auxílio. “Ele vai tentar tirar proveito disso? É problema dele. Se alguém acha que vai ganhar o povo porque vai dar um auxílio emergencial de R$ 600, paciência. Eu acho que o povo merece os R$ 600 e acho que ele tem que dar e nós já reivindicamos isso”, declarou Lula.

Neste momento, o auxílio coloca Bolsonaro e Lula no mesmo palanque, mas há diferenças históricas nas posições. Em 2010, quando era deputado federal, Bolsonaro chegou a chamar o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”, afirmando que o benefício manteria o PT no governo. Em 2018, já lançado pré-candidato à presidência da República, Bolsonaro disse que não usaria de demagogia para agradar na busca de votos. “Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para a demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto”, bradou.

Bolsonaro e Lula
Posição de Bolsonaro sobre o Bolsa Família em 2010, quando ele era deputado.

De outro lado, o Bolsa Família foi criado com esse nome em 2003, no primeiro ano da gestão Lula, e era uma bandeira dos primórdios do surgimento do PT. O programa surgiu a partir da reorganização de programas já existentes criados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás.

O Bolsa Escola, de FHC, foi o primeiro programa de transferência de renda com abrangência nacional a condicionar o recebimento de benefícios à educação de crianças de famílias de baixa renda com filhos em idade escolar. O governo Lula foi assertivo em reunir os vários programas sociais e colocar no orçamento o Bolsa Família, o que garantiu a continuidade e regularidade do repasse. Agora, além de aumentar o valor, Lula quer ampliar o número de beneficiários.

Independentemente dos interesses eleitorais em questão, os fatos mostram que os programas sociais têm desempenhado importante papel na distribuição de renda e redução da pobreza em praticamente todos os países do mundo.

Não é justificável o boicote do mercado financeiro a uma política que contribuiu para o desenvolvimento social e econômico. Basta ver os programas existentes em países mais desenvolvidos socialmente do mundo, especialmente da Europa.

Nenhuma nação pode avançar – o mercado e os empresários sabem disso, mas boa parte não admite – com um quarto de sua população na miséria, sem nenhum poder de compra para atender as suas necessidades mínimas. Esse quadro impede a expansão econômica e inibe o desenvolvimento em todos os sentidos.

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