Foto: Divulgação/Lava Jato
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Em entrevista exclusiva para a edição da revista Carta Capital, que circula a partir desta sexta-feira na versão impressa, o delator da Operação Lava Jato Júlio Camargo considera “surreal” o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), comandar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em delação premiada, Camargo afirmou à força-tarefa da Lava Jato ter pagado 5 milhões de dólares em propinas a Cunha por conta de um contrato de um navio sonda com a Petrobras.

Segundo a Carta Capital, o empresário concordou em conversar após quatro meses de negociação.

Júlio Camargo fala ainda do senador tucano Aécio Neves (MG) e do vice-presidente Michel Temer. O empresário também diz estranhar o fato de as investigações da Lava Jato contra integrantes da oposição não avançarem.

Leia trecho da entrevista exclusiva que a revista Carta Capital adiantou em seu site:

 

Como o senhor interpreta as últimas ações do deputado Eduardo Cunha?

Acho um desacato ao povo brasileiro. Entendo e respeito os ditames do Judiciário. O que me espanta é a morosidade. São muitos fatos concretos sem nenhum ação da Justiça a respeito.

Cunha conduz o processo de impeachment.

É surreal. De qualquer forma, tenho certeza, a verdade tarda, mas não falha. Vai chegar a hora do julgamento dele. Se a gente quer de fato mudar este país, o Cunha precisa ser extirpado do cenário.

O impeachment seria a solução para a crise?

Depende do day after. Quem será o novo presidente? O “grande jurista” e vice-presidente Michel Temer tem seu nome vinculado à Lava Jato. Se o Eduardo Cunha se tornar o presidente, seria o fim da nação. Tenho 64 anos e já fui convidado para morar fora do País. Nunca pensei, mas se o Cunha assumir o governo, não haveria alternativa.

O sistema, como o senhor diz, sempre foi assim. Por qual motivo o PSDB e os partidos de oposição não têm aparecido nas investigações?

Essa é uma das grandes perguntas. A opinião pública está desconfiada dessa falta de informação do lado dos partidos de oposição. Não há dúvida nenhuma de que a sistemática do PT foi simplesmente uma sequência. De uma maneira mais ou menos sofisticada, foi exatamente a mesma. Não saberia apontar o motivo.

O que o senhor me diz do Aécio Neves?

Está na mesa posição do Michel Temer, hoje sob suspeição. Não votaria no Aécio de jeito nenhum.

 E o Lula?

O Lula foi o maior presidente da história do Brasil, ninguém pode dizer nada em contrário. É uma vítima de um processo eleitoral e do sistema político. Evidentemente ele foi muito mal assessorado durante os últimos anos, cometeu falhas. Também não o considero apto a voltar à Presidência. Talvez ele e o Fernando Henrique Cardoso poderiam ser os articuladores de uma grande aliança nacional. Os dois precisariam, no entanto, se penitenciar, calçar as sandálias da humildade.

Cunha, Temer, Aécio e Lula não se manifestaram sobre a entrevista.

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