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A petista Gleisi Hoffmann e a bolsonarista Carla Zambelli fizeram críticas à Lava Jato após fala do procurador-geral da República, Augusto Aras.
A petista Gleisi Hoffmann e a bolsonarista Carla Zambelli fizeram críticas à Lava Jato após fala do procurador-geral da República, Augusto Aras.| Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados e Mauro Calove

As críticas do procurador-geral da República, Augusto Aras, à Lava Jato provocaram reações diversas nos meios políticos, jurídicos, na mídia e em vários outros setores. Enquanto de um lado ergueram-se vozes em defesa do trabalho da força-tarefa, de outro, a fala do procurador propiciou uma união bizarra de políticos opostos, como petistas e bolsonaristas.

“Aras quer FORTALECER a Lava-Jato, por isso deseja DESTUCANÁ-LA. Em tempos que só se prendia a corrupção do PT, é momento de realinhar para não permitir que a Lava-Jato seja um instrumento de poder exposto no currículo para defender outras legendas igualmente corruptas!”, escreveu no Twitter a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Do outro, petistas saíram imediatamente em defesa da instalação da CPI da Lava Jato. “A revelação de Aras de que a lava-jato tem arquivo sobre 38 mil pessoas e mais de 50 mil documentos com informações, mostra que a força tarefa se constituiu em uma polícia politica. É urgente instalar a CPI da Lava Jato, que já tem assinaturas e só falta ser lida em plenário”, manifestou também pelo Twitter a deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT-PR).

Na mesma linha reagiu o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Ele usou as redes sociais para defender a CPI da Lava Jato. Segundo o parlamentar, a criação de um banco de dados com informações sobre 38 mil pessoas, incluindo parlamentares e juízes, “revela um Estado Policial dentro do país”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) – que em sua primeira eleição para a presidência da Câmara teve apoio de partidos de esquerda, como PT, PCdoB e PDT, e na campanha de reeleição contou com o reforço do PSL, que na época abrigava Bolsonaro –, disse que enxerga “excessos” nos procedimentos adotados pela Lava-Jato e ressaltou que Aras tem legitimidade para fazer críticas aos procedimentos adotados pela operação. "Acho que o procurador tem muito mais informações do que nós temos para fazer a crítica e o alerta”, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes.

As investigações da Lava Jato levaram 108 políticos com foro privilegiado – na época – ao Supremo Tribunal Federal (STF), sendo 29 senadores e 42 deputados federais. Os políticos envolvidos no inquérito – muitos deles ainda hoje com mandato parlamentar – também reforçam o time dos que querem mudanças na Lava Jato.

Augusto Aras foi escolhido para a Procuradoria Geral da República (PGR) pelo presidente Jair Bolsonaro com um discurso de necessidade de impor limites ao que chamava de abusos dos procuradores envolvidos na Lava Jato. Agora, o procurador-geral veio a público para dizer que a operação que levou 293 pessoas à prisão e resultou em 253 condenações, a maioria delas por corrupção, é uma "caixa de segredos". Afirmou ainda que a força-tarefa detém em seu poder "50 mil documentos sob opacidade", com dados de 38 mil pessoas, "que ninguém sabe como foram colhidos”.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) rebateu as críticas de Aras. Em nota, a entidade afirmou que apoia o trabalho desenvolvido pelos membros do Ministério Público Federal (MPF) que atuam nas diversas forças-tarefas existentes no país, incluindo a Lava-Jato.  "A alegação feita pelo PGR, de maneira genérica, no sentido de que haveria uma atuação clandestina, ilegal, não transparente, um funcionamento em forma de caixa preta, além de desprestigiar os órgãos correicionais que acompanham, rotineiramente, os referidos trabalhos, coloca em indevida suspeição os esforços desenvolvidos por todos os membros que compõem as forças-tarefas, não contribuindo em nada para o aperfeiçoamento do debate travado sobre a evolução do modelo instituído. Em suma, cuida-se de discurso destrutivo e não construtivo", disse a ANPR.

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