Mortes e nascimentos no Brasil
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Com o aumento de mortes por Covid-19 no Brasil nos últimos meses, o risco de o país registrar mais mortes que nascimentos no mês de abril é real. Especialistas observam que esse seria um fato inédito, considerando que o crescimento populacional brasileiro tem sido contínuo e acelerado ao longo da sua história.

Nos últimos anos, até 2020, o número de nascimentos no Brasil nos meses de março somava mais que o dobro de mortos. Em março de 2017, por exemplo, os óbitos representaram 36% do total de nascidos, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil. Mas em 2021, com o aumento explosivo do número de mortes por Covid-19, a diferença entre nascimentos e óbitos caiu de forma recorde.

Em março deste ano foram mais de 179 mil mortos (soma de óbitos por todas as causas), contra uma média de menos de 100 mil nos meses de março dos anos anteriores. Os registros de nascimentos em março de 2021 totalizaram pouco mais de 226 mil. Os números ainda estão em fase final de atualização.

Mortes e nascimentos no Brasil

O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, que foi professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por quase 20 anos e integrou a direção da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, diz que se nenhuma medida for tomada para bloquear as transmissões o número de óbitos continuará subindo e o número de nascimentos deve cair ainda mais. “A possibilidade de os óbitos superarem os nascimentos em algum mês de 2021 é uma novidade e tanto nos 521 anos da história de Pindorama”, escreve Diniz Alves em artigo publicado na revista digital EcoDebate.

Também em artigo, publicado no jornal Correio Brasiliense no dia 4 de abril último, o neurocientista Miguel Nicolelis, faz as mesmas projeções. “Se o número de mortes por covid-19 (e por outras causas) continuar a subir, o Brasil pode viver o primeiro momento da sua história em que as mortes superaram os nascimentos de novos cidadãos. Tal tendência ilustra a magnitude profundamente épica do impacto da Covid-19 no país”, escreveu.

O impacto dessa triste realidade no Brasil deverá aparecer nos próximos anos, principalmente na expectativa de vida da população e no perfil demográfico. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em dezembro – quando ainda não havia números do agrabament0o da pandemia nos últimos meses – previu uma queda de 2,2 anos na expectativa de vida dos brasileiros em 2020. Com a aceleração do número de mortes, a queda pode ser maior em 2021.

Estudo da Universidade de Washington prevê que o Brasil passará de 400 mil mortes ainda em abril.
Estudo da Universidade de Washington prevê que o Brasil passará de 400 mil mortes ainda em abril.| Reprodução/IHME

Um estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, prevê que o Brasil chegará a 400 mil mortes por Covid-19 em 24 de abril. E pouco mais de um mês depois, em 27 de maio, o país superará a casa do meio milhão de óbitos.

O mesmo estudo projeta que o pico de mortes será entre 23 e 25 de abril. Depois desse período, a previsão é de queda até chegar a cerca de 1.200 mortes por dia no início de julho. A pesquisa considera fatores como a disseminação de variantes do vírus, uso de máscaras e respeito ao distanciamento social.

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