Crédito da foto: Valter Campanato/Agência Brasil| Foto:

Se você conhece o recém-empossado ministro da Economia, sorria. Você é uma raridade.

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Pesquisa feita pelo Instituto Ideia Big Data entre os dias 17 e 20 de dezembro, com 2.300 entrevistas em 121 cidades de todas as regiões do país, aponta que apenas 5% dos brasileiros sabem quem é Paulo Guedes.

Na outra ponta, 97% disseram conhecer Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública. Menos conhecidos que ambos, segundo a sondagem, são os colegas Luiz Mandetta, da Saúde, 1%, e Ricardo Vélez Rodriguez, 2%.

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O que isso diz sobre o governo? Algumas coisas interessantes para Jair Bolsonaro. E outras nem tanto assim.

É clichê, mas é uma verdade-síntese: o governo atual foi eleito para mudar tudo isso que está aí. E, se não conhecemos a trinca que controla as pastas mais importantes da Esplanada, é porque a chance de eles serem diferentes dos que estavam lá é enorme. Além de um quadro vazio que pode ser preenchido aos poucos.

O fato é que Mandetta, o inimigo número um da versão petista do Mais Médicos, e Vélez Rodriguez, o antidoutrinação da esquerda nas escolas, têm um caminho (teoricamente) mais fácil para mostrar ao que vieram.

Com Guedes, a história é outra. Só conheceremos o governo Bolsonaro quando conhecermos Guedes. E não o Guedes pessoa física, mas o mais poderoso chefe de uma equipe econômica federal desde a redemocratização.

Isso significa que, a cada momento, estaremos diante de novas aventuras.

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No quarto dia de governo, lá estava ele na primeira grande confusão da Era Bolsonaro. Na sexta-feira (4), pela manhã, o presidente anunciou confusamente que aumentaria o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e reduziria a maior alíquota do Imposto de Renda. Não entendeu? Guedes explicaria tudinho à tarde.

Passou sexta, passou o fim de semana e nada de Guedes falar. Bolsonaro acabou desmentido por um subordinado do ministro, Marcos Cintra. E tudo isso faria parte de uma disputa de poder entre Guedes e outro cachorro grande do governo, o chefe da Casa Civil Ônix Lorenzoni.

Fora os transtornos, o IOF não subiu (e ainda não se sabe o que vai ocorrer com o IR). Olhando o tamanho dos problemas que vêm pela frente é bem possível que o episódio tenha sido só tempestade em copo d’água.

Guedes anunciou em seu discurso de posse no cargo, dia 2, que tem três prioridades: reforma da Previdência, privatizações e corte de impostos. E que conheceríamos uma “enxurrada” de medidas nos próximos dias.

Desse aguaceiro, sairá o legado do governo Bolsonaro. Se ele será o presidente que colocou a economia nos trilhos ou uma tentativa frustrada de mudar tudo o que está prejudicando nossos bolsos.

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Guedes, pelo que sua personalidade indica, tem pressa para mostrar a que veio. Precisa demarcar terreno dentro do governo e no Congresso Nacional.

Curiosamente, tem na equipe alguém que passou por uma experiência semelhante: Joaquim Levy, ministro da Fazenda durante o começo do segundo mandato de Dilma assumiu o BNDES na manhã desta segunda-feira (7).

Não há pesquisas sobre o nível de conhecimento de Levy nos idos de 2014/2015, mas chutaria com segurança que não chegava nem aos 5% de Guedes. Dilma detestava Levy, um Chicago Boy como Guedes, e o jogou na fogueira de aprovar uma série de reformas para corrigir as besteiras que ela e Guido Mantega (lembra dele?) fizeram durante o primeiro mandato.

Uma foto de Levy exaurido em um avião, em outubro de 2015, auge da pancadaria com o Congresso, foi o retrato do legado daquele período.

Guedes tem mais caneta e ímpeto que o antecessor. Espera-se que ele deixe o cargo mais bem na foto, independentemente de ter alcançado notoriedade ou não.

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