Dias atrás apresentei um cardamomo a uma amiga aqui do jornal. Assim como muitos, ela nunca sequer tinha ouvido falar na tal especiaria ou nunca tinha visto a baga esverdeada, originária da Ásia, que esconde sementinhas escuras bastante aromáticas. O cardamomo, para quem não sabe, é muito versátil: pode ser usado como complemento do café servido à moda árabe ou pode ser adicionado a caldos ou cozidos ou ainda serve para incrementar o sabor de cremes e pudins… daí a ideia de trazer para o Conversa temperada algumas especiarias, as mais usadas, as menos conhecidas, quais as principais características e onde usá-las.
Açafrão – é o estigma seco de uma flor, a crocus sativus. Calcula-se que para conseguir um quilo da especiaria sejam necessárias mais de 100 mil flores. Tem uma cor alaranjada, bem escura, aroma forte e sabor agradável. Pode ser usado em pratos à base de frango, peixes e crustáceos, além de pães, biscoitos e arroz. É condimento infalível da paella espanhola.
Alecrim – pode ser encontrado fresco ou seco. De coloração verde escura, sabor refrescante e um aroma muito intenso. Deve ser usado em pequenas quantidades. Pode ser usado em pratos à base de carnes, aves e peixes; nos recheios e pães, nas sopas e alguns molhos. O azeite é um par perfeito para a erva. Coloque um raminho fresco dentro de um vidro com o óleo e espere alguns dias, até tomar gosto. Use para temperar saladas.
Alcaravia – ou Kümmel – sementes pequenas, escuras e curvas, com um aroma adocicado e penetrante. Pode ser usado em pães e pastas de queijo, chucrute, salada de repolho. Curiosamente, a alcaravia faz parte da culinária típica de lugares bem diferentes: Alemanha, Áustria e países da Escandinávia, na Europa, e Tunísia, no norte da África. Os egípcios acreditavam que as sementes protegiam contra os maus espíritos.
Anis-estrelado – um fruto seco na forma de uma estrela. Seu gosto é doce e o cheiro aromático. É muito usado em confeitaria e no preparo de licor digestivo. Na Tailândia, usado em bebida, como condimento de chá gelado. No Vietnã, dá gosto a sopas, frango, peixes e carnes.
Canela – é obtida retirando a casa dos galhos de uma árvore de origem chinesa; pode ser encontrada em rama ou em pó. Tem aroma adocicado e forte. Pode ser usada em compotas, picles, pães, bolos, biscoitos, legumes, doces, pratos salgados e salpicada sobre frutas ao forno ou bananas fritas.
Cardamomo – sementes de cor esverdeada que esconde sementinhas escuras intensamente aromáticas. Os árabes não dispensam a especiaria, e colocam nos cafés para os amigos para estreitar os laços. Na Índia, os cardamomos são a alma do curry e temperam legumes, carnes e frangos. Os espanhóis costumam usar algumas bagas amassadas numa infusão, com pedacinhos de casca de laranja em chás. Na cultura indiana, é considerado um afrodisíaco e na medicina tibetana, usada para males dos rins.
Caril – trata-se de uma mistura de várias especiarias. Característica da cozinha indiana, pode ser usado em carnes, peixes e aves, pratos de ovos e queijos, sopas e molhos.
Cerefólio – folhas secas ou frescas parecidas com a salsa mas com saber mais suave e delicado. Lembra um pouco o anis. Para os franceses, o cerefólio é um tempero indispensável assim como o alho, a cebola e o cheiro-verde para os brasileiros. Pode ser usado em pratos à base de peixes e ovos, em legumes, sopas e molhos e ensopados. Misturado à manteiga, vira uma deliciosa base de preparo para canapés.
Cominho – vendido em pó ou em grãos, tem gosto forte. Os povos árabes o utilizam muito. Pode ser usado em carnes, aves, sopas, queijos, pães e licores.
Curry – mistura de especiarias feita na Índia, principalmente para consumo externo. No próprio pais, usa-se uma mistura específica para casa prato, variando de uma região para outra ou de uma família para outra. O curry é uma mistura de coentro, cominho, fenugrego, alho, gengibre, canela, cravo, cúrcuma, cardamomo, pimenta vermelha e pimenta-do-reino.
Endro – tem sabor suave, que lembra vagamente o da alcaravia; as sementes secas têm um aroma acentuado e ligeiramente amargo. O endro fresco picado pode ser usado em peixes, batatas cozidas, ensopados, repolho, molhos de salada, maionese. Os grãos moídos temperam bem torta de maçã, biscoitos e folhados.
Estragão – é uma das ervas mais sofisticadas para uso culinário. Tem um sabor único que dá personalidade e valoriza outros sabores num mesmo prato. Pode ser usado em saladas, aves, peixes, carnes e sua utilização numa simples omelete, transformando-a em um prato especial. Macerada com vinagre branco, proporciona aroma característico e dá sabor ao molho francês Beárnais (à base de gema de ovo, manteiga, vinho branco, vinagre e ervas frescas, feito em banho-maria).
Gengibre – raízes inteiras, frescas ou secas e moídas, o aroma é adocicado penetrante e forte. Entra no preparo de pratos doces e salgados, nas compotas e nos picles, e também em bebidas como o quentão.
Louro – pode ser encontrado em folhas frescas ou secas ou em pó. É um tempero bastante usado na culinária brasileira, entrando em marinadas, assados, ensopados, conservas, feijão e até em sopas.
Manjericão – encontra-se fresco ou seco e tem um aroma levemente adocicado, que lembra o da manjerona, mas mais fresco e penetrante. Usado com tomates, molhos, saladas, em aves, peixes, carnes de vaca e de vitela, e em sopas.
Manjerona – encontrada fresca e seca. É usada em pratos à base de peixe, ave, ovos, queijo, legumes e recheios, sopas, em especial o minestrone.
Noz-moscada – encontra-se inteira e em pó. Como todas as especiarias, é melhor quando moída na hora para que o sabor, nesse caso quente e doce, possa ser conservado melhor. Usada em recheios, molhos tipo bechamel, legumes como batatas e espinafre; em pratos à base de ovos ou no preparo de pães, biscoitos, bolos, bebidas e coquetéis.
Orégano – é encontrado principalmente seco e tem um aroma e paladar que lembram o da manjerona, mas mais forte. É um tempero fundamental das cozinhas italiana, grega e mexicana. Usado principalmente em pizzas, molhos e pratos que levam tomates, marinadas, recheios e pratos à base de frango ou de peixes.
Papoula – minúscula semente de coloração azul-acinzentada, com aroma suave e delicado que lembra o de nozes. Usada sobre pães, doces ou salgados, como recheio para tortas, sobre queijos frescos, em molhos para saladas e no preparo de cremes.
Páprica – Os pimentões originários da América foram levados para a Europa pelos descobridores no século 16. Os húngaros selecionaram e cultivaram uma espécie vermelha, longa e grossa, não-picante, a que deram o nome de paprika. Depois passaram a secar os pimentões e reduzi-los a pó, para melhor conservação. O pó de cor de avermelhada, com aroma doce e gosto que vai do suave ao picante. Usada em pratos à base de carnes de porco, aves, queijo, em molhos para saladas, dips para coquetéis. Na culinária húngara é muito usada em ensopados como o goulash (sopa à base de batatas e carne).
Segurelha – é uma erva que se seca seu sabor fica mais concentrado. Muito usada em ensopados com os de feijão branco, em marinadas de peixes e carnes a serem grelhados ou para aromatizar vinagres.
Tomilho – por seu aroma e sabor forte, resiste bem à secagem e ao congelamento. Deve ser usado com moderação para que não domine os demais sabores. Resiste ao cozimento por muito tempo, sem sofrer alteração no sabor. É encontrado fresco em feiras e supermercados. Tem folhinhas miúdas de cor verde escura e um aroma penetrante e almiscarado. Usado em terrines, carnes ensopadas ou grelhadas; indicado para aves, legumes, molhos e sopas e pratos com ovos, queijo ou peixe.
Dicas práticas
Algumas dicas são fundamentais para a melhor conservação das ervas frescas e especiarias:
– Ervas como tomilho, alecrim e salsa prefira usá-las frescas pois apresentam uma nítida diferença de sabor entre a versão fresca e a seca.
– O ideal é comprar ervas e especiarias a granel e em pequenas porções para que não fiquem velhas nem percam suas propriedades.
– As ervas desidratadas são mais pungentes que as frescas. Na hora de usá-las, vá com moderação. Coloque ¼ da dose que você usaria se a erva fosse fresca.
– Vidrinhos transparentes não são os ideais para guardar as especiarias ou ervas secas. O ideal é conservá-las em ambientes secos e longe do sol.
– Os temperos frescos devem ser aproveitados em, no máximo, uma semana. Guarde-os refrigerados em sacos de papel ou recipientes de plásticos forrados com papel toalha.
– Sempre que possível moa na hora de preparar o prato.
– Não abuse. Um prato com o tempero certo é delicioso. Condimentos em excesso podem arruinar qualquer receita.
Com STF politizado, fugas de réus da direita se tornam mais frequentes
Estatais batem recorde na Lei Rouanet enquanto contas públicas fecham no vermelho
Frases da Semana: “Pela primeira vez, os brasileiros estão com inveja da Venezuela”
ONGs relatam mais de 100 mortos sob repressão do regime do Irã, que ameaça EUA