Cristina Graeml conversa com um dos mais de 2 mil presos políticos do 8/01/2023. O homem foi a Brasília a trabalho, na véspera da manifestação que terminou com a depredação de prédios públicos. Estava produzindo um livro e um documentário sobre as manifestações que ocorriam por todo o país. Sequer se aproximou da praça dos Três Poderes, mas viu tudo de longe, inclusive a força desproporcional da polícia, que atirava bombas de helicóptero sobre os manifestantes.
Muitos foram feridos com balas de borracha no olho, na boca, um rapaz perdeu a ponta de um dedo. Por outro lado, viu pelotões da Força Nacional parados em frente ao Ministério da Justiça e o ministro Flávio Dino olhando tudo da janela.
O preso, que prefere não se identificar para evitar represálias, foi dormir no acampamento do QG do Exército, onde buscava mais informações e registros para o documentário. Acabou preso no dia seguinte, junto com centenas de outras pessoas, inclusive idosos e crianças, todos enganados pela polícia do Exército, que os obrigou a entrarem em ônibus, dizendo que iriam para local mais seguro.
Passou 70 dias na cadeia e denuncia o péssimo tratamento recebido na Papuda: 20 dias para passar por audiência de custódia, empurrões, tapas, humilhações, comida com pedaços de dente de porco, cabelos e até vidro, nenhum atendimento médico nem para presos com comorbidades.
"Passei 60 dias com a mesma roupa, dormindo no chão, ao lado do vaso sanitário e da lixeira, numa cela com 23 pessoas, onde só cabiam 8. Nunca imaginei na vida ser tão humilhado".
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