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Biden se une à Austrália e deixa Macron de fora do “contrato do século”
Biden se une à Austrália e deixa Macron de fora do “contrato do século”| Foto: Private Media

Semana muito agitada divide opiniões sobre o tamanho da tempestade financeira (e talvez bélica) que está se formando na China, com potencial para abalar todo o planeta. Bolsas da Ásia operam com elevado grau de instabilidade diante do temor de calote da Evergrande, gigante chinesa do setor imobiliário. A incerteza gerou repercussões amargas por aqui também. Esta semana, a Vale chegou a perder R$ 3 bilhões em valor de mercado, após o minério de ferro desvalorizar rapidamente com a informação de que a empresa asiática poderia afundar. Caso o governo de Pequim não ajude a incorporadora, ou ela seja comprada por concorrentes, a falência da expoente da construção civil pode, segundo analistas, gerar uma quebradeira maior do que aquela registrada em 2008. Se as consequências forem sistêmicas, a reação em cadeia levaria o mundo inteiro a uma zona desconhecida, em termos econômicos e geopolíticos.

Apesar das falas amistosas desta semana na Assembleia Geral da ONU, o evento ocorre no momento em que os Estados Unidos montam um enorme acordo para conter a China, junto com Inglaterra e Austrália, recriando uma espécie de Aliança dos Cinco Olhos. O grupo Five Eyes é fruto de um acordo celebrado em 1941, reunindo originalmente apenas os EUA e o Reino Unido, com o objetivo de espionar as comunicações entre alemães e japoneses. Posteriormente, com a adesão de Austrália, Canadá e Nova Zelândia, o pacto recebeu seu nome atual. Porém, Washington preparou um nova aliança, a AUKUS (sigla em inglês para Australia, United Kingdom and United States), a fim de garantir sua hegemonia no Indo-Pacífico, buscando conter os avanços de Pequim. O contrato inclui intercâmbio nas áreas de cibernética e inteligência artificial, assim como tecnologias bélicas, incluindo submarinos e mísseis.

Curiosamente, a França acabou sendo seriamente prejudicada pelo AUKUS, uma vez que acabou perdendo o chamado “contrato do século” com a Austrália, por meio do qual receberia US$ 66 bilhões para construir 12 submarinos de propulsão elétrica e a diesel. Além de um contrato adicional bilionário com empresas terceirizadas. A francesa Naval Group havia vencido uma longa e complexa licitação, superando ofertas japonesas e alemãs. Entretanto, após o convite para ingressar no acordo com os EUA, os australianos desistiram de seguir com a compra, anunciando que prefeririam adquirir mísseis de cruzeiro de longo alcance americanos, com o fim de reforçar sua proteção diante dos avanços chineses.

Ao mesmo tempo em que a relação entre França e EUA sai abalada, Washington intensifica não apenas sua aproximação com Austrália e Reino Unido, mas também com Japão e Índia, que apoiaram prontamente o AUKUS. Vale lembrar que acontecerá, no fim desta semana, na Casa Branca, o encontro do Quad, grupo composto exatamente por EUA, Índia, Japão e Austrália. Diante deste cenário, parece que o Quad está se fundindo com o AUKUS, formando um novo Five Eyes, agora, com seis participantes.

Essa movimentação toda, acontecendo diante de um contexto tão apreensivo, pode trazer consequências inesperadas. Enquanto alguns defendem que o império americano já ruiu, e estamos vendo apenas a dissolução de sua estrutura, outros acreditam que uma eventual crise sistêmica iniciada pela falência da maior incorporadora chinesa pode ser o perfeito catalisador do tão falado Grande Reset, o reinício da ordem global.

Esta é a opinião do apresentador americano Glenn Beck. Ele traça uma comparação entre a possível falência da gigante chinesa Evergrande com a queda do Lehman Brothers em 2008. Beck lembra que este foi o maior pedido de falência da história americana, abalo que foi sentido em todo o mundo. Ele prevê que a crise atual, caso confirmada, será muito maior, e significará uma mudança completa para a sociedade americana. Ao contrário da recuperação relativamente rápida que aconteceu no fim década passada, ele credita que a crise atual poderia desencadear um impacto global tão forte que criaria toda uma nova realidade, principalmente quanto aos direitos individuais e aos “privilégios econômicos” aos quais os americanos estão acostumados. "A mesma coisa que aconteceu em 2008 está acontecendo agora na China. Mas, desta vez, vai derrubar tudo. Quando entrar em colapso, vai arrasar tudo”, afirmou Beck.

Enquanto isso, o Talibã se reúne com representantes da China, Rússia e Paquistão em Cabul, na capital do Afeganistão. Parece que ambos os lados estão escalando seus times para uma grande disputa. De um lado, a Águia, que tenta preservar um de seus ativos mais poderosos, o dólar, diante da descontrolada impressão da moeda. Do outro, o Dragão, que poderá testemunhar o maior pedido de falência de sua história. Quem cai primeiro? Difícil saber. Porém, fica cada dia mais claro que esta deixou de ser uma disputa comercial ou geopolítica, para se transformar numa luta desesperada pela sobrevivência. Quem vencer leva tudo, inclusive os problemas alheios e a responsabilidade de ser o novo (ou o velho) xerife global.

Fico tentado a dizer: “que vença o melhor”. Porém, creio ser mais prudente orar: “Deus, tenha piedade de nós”. Amém.

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