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O Transtorno do Espectro Autista é uma condição relacionada ao neurodesenvolvimento e este ano é o primeiro em que o Brasil passa a comemorar o Dia Nacional do Orgulho Autista. Com a Lei 13.565, de 31 de março de 2026, instituiu-se o dia de hoje, 18 de junho, como uma data dedicada à reflexão sobre as diferentes formas com que o autista pensa, interage, percebe e aprende, promovendo a inclusão e o respeito.
A Síndrome de Down, por sua vez, é uma condição genética de uma anomalia presente no par do cromossomo 21, onde a pessoa, ao invés das duas cópias, possui três. Também chamada de T21, as pessoas que têm essa síndrome trazem alterações no desenvolvimento físico e cognitivo resultando em características e necessidades de saúde específicas.
Condições de saúde diferenciadas e inumeráveis síndromes são a realidade de milhões de brasileiros, com números que apontam cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down, 13 milhões com alguma patologia rara; 2,5 milhões com Transtorno do Espectro Autista e outras 14 milhões com algum tipo de deficiência ou limitação, das mais variadas formas.
Em cada uma dessas pessoas, há um mundo único e irrepetível, repleto de sentimentos, anseios, inteligência e razão próprias, cujas existências não se limitam em si mesmas, exercendo uma enorme influência em todo o ambiente e em todas as pessoas que as cercam.
Países estão abortando crianças com Síndrome de Down a ponto de não mais existir um único nascimento de bebês nessa condição
Cada conquista e cada derrota experimentada, sorrisos e lágrimas, histórias engraçadas e tristes, olhares, afetos, o contato, a presença, tudo em uma pessoa é relacional e nos ensina o valor de cada um pela dignidade intrínseca do ser em si, independentemente da sua condição ou de qualquer outro atributo que possa ser adicionado à pessoa.
Infelizmente, hoje, essa unicidade de cada um está perdendo espaço para a técnica e a utilidade. O valor da pessoa não está mais nela mesma, mas sim, naquilo que ela é capaz de proporcionar. Países estão abortando crianças com Síndrome de Down a ponto de não mais existir um único nascimento de bebês nessa condição, revelando que a engenharia genética atual ultrapassou os limites, deixando de ser terapêutica e clínica para se tornar realmente eugênica, ou seja: voltada à promoção e defesa somente da vida do mais forte.
O pior é quando vemos esse tipo de pensamento, que quer selecionar quem é digno de viver, em pessoas que se dizem da direita. Já de antemão, ressalvamos que temos nossas reservas quanto a essa atual necessidade premente de se rotular alguém como de direita ou de esquerda. Entretanto, se a própria pessoa se vale dessa qualificação, naturalmente ela quer dizer que se identifica com os valores que comumente se encontram naqueles que se enquadram nesse espectro político: pelo menos aqui no Brasil, vida, liberdade, família e patriotismo são moeda comum aos que se colocam desse lado.
Um triste exemplo dessa incongruência veio de um pré-candidato a deputado estadual em São Paulo, integrante de um partido recém-criado que, em sua página na internet, afirma categoricamente ser contra as narrativas da esquerda e do “centrão”, ou seja, é um partido de direita.
Ao participar de um podcast, o pré-candidato defendeu o abortamento até doze semanas de crianças com autismo ou que tenham sido diagnosticadas com alguma síndrome ou outros “problemas sérios”. Segundo sua lógica, em alguns casos, as pessoas que conviveriam com essa criança seriam muito exigidas e isso “acabaria com suas vidas”. Em determinado momento, ele chega a afirmar que essas pessoas seriam mais “eficientes” e “felizes” se houvesse a possibilidade de abortar aquela criança.
E aqui vem o ponto que queremos destacar. Independentemente de ser esquerda ou de direita, a defesa da vida é o ponto essencial para se saber se o seu candidato é ou não uma pessoa digna de seu voto.
A vida é o primeiro de todos os direitos, sem o qual, nenhum outro pode subsistir. Se a pessoa banaliza este proto-direito, não há barreira alguma para que ela passe a relativizar os demais e isso é historicamente comprovado. Regimes autoritários nunca tiveram compromisso com o direito à vida. Pessoas que são ou que virão a se tornar autoritárias também não têm respeito a esse direito fundamental.
Se a pessoa se diz enquadrar no espectro político de direita, como pode ela defender a família ou a liberdade se antes ela não defende a vida, que é base para tudo isso? Da mesma forma, se a pessoa se diz de esquerda, como pode ela dizer que defende o camponês ou qualquer outra minoria contra a opressão da outra classe dominadora, se antes ela não defende o nascimento desse mesmo camponês, do homossexual, da mulher ou seja lá qual outra categoria que ela queira?
É uma incongruência.
Aliás, é mais do que isso. É falta de discernimento e/ou de instrução. Não dizemos nem que há carência de formação religiosa, pois não são necessários dogmas ou verdades transcendentes. Basta o simples uso da razão para se chegar a essas conclusões.
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