O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB). Foto: Marcelo Andrade/Arquivo Gazeta do Povo| Foto:

Se entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016 já surgiam elementos na investigação da Operação Quadro Negro que se conectavam com detentores de mandato eletivo, no ano de 2017 a delação do dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes de Souza, trouxe pela primeira vez narrativas robustas sobre a suposta participação de praticamente toda a atual cúpula política do Paraná no esquema de corrupção montado a partir de contratos entre a sua empresa e a secretaria da Educação.

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Entre as autoridades citadas na delação, está o próprio governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para quem as declarações do empresário são “afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena”, de acordo com nota distribuída à imprensa por ele.

O conteúdo da delação de Lopes de Souza, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), veio à tona em setembro do ano passado. Dinheiro entregue por ele a Maurício Fanini, ex-diretor na secretaria de Educação e amigo pessoal de Beto Richa, teria abastecido um caixa 2 da campanha de reeleição do tucano, em 2014. Cálculos do delator apontam que cerca de R$ 14 milhões podem ter sido destinados no total a agentes públicos (servidores e políticos) durante os quase quatro anos de funcionamento do esquema de corrupção.

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“O Fanini disse que só tinha uma pessoa para quem ele prestava contas, que era Beto Richa. “Eu só tenho um senhor”, ele dizia”, diz trecho da delação de Lopes de Souza. Preso na esteira da Operação Quadro Negro, Fanini também tenta agora se tornar um delator.

Antes de setembro, contudo, outras duas delações já tinham abalado o Palácio Iguaçu. Em 2017, Beto Richa foi citado em Brasília por delatores ligados à Odebrecht e à JBS. Em abril, foi divulgado o relato do ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht Benedicto Júnior, apontando que a empreiteira doou R$ 2,5 milhões via caixa 2 à campanha de reeleição de Beto Richa.

No mês seguinte, em maio, outra delação foi divulgada: Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, disse ter repassado pessoalmente R$ 1 milhão em espécie a Pepe Richa, irmão e secretário de Beto Richa. O dinheiro, ainda segundo Saud, também seria para um caixa 2 da reeleição do tucano.

Pepe e Beto Richa negam. No primeiro caso, relativo à Odebrecht, um inquérito foi aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar os relatos. Mas, nem a Procuradoria-Geral da República (PGR), nem o STJ, dão informações à imprensa sobre qual desdobramento deram aos fatos sustentados pelo delator da JBS.